Político brasileiro tem o péssimo mau hábito de propor resoluções e determinar ações sem que considere todos os impactos que podem advir destas medidas. Os legisladores, principalmente, são bastante pródigos em criar despesas orçamentárias sem que para isso apontem de onde sairão os provimentos para tanto. Isso acontece com uma frequência assustadora (vide o caso do Orçamento Impositivo em discussão no Congresso Nacional). Falta, na maioria dos casos, certa maleabilidade para que se encontrem soluções que verdadeiramente atendam os interesses de todos os envolvidos.
Em Franca, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) está conseguindo superar a média nacional, ao tomar decisões unilaterais sem que ouça todos os que serão impactados por suas medidas. É o caso das centenas de vagas de estacionamento suprimidas no centro da cidade, sem que se levasse em conta o impacto que a medida teria não apenas para o trânsito (que continua bastante difícil, principalmente nos horários de pico) mas também para o comércio daquela região da cidade. As reclamações dos comerciantes são válidas, já que muitos deles estão perdendo vendas com a dificuldade que os consumidores estão encontrando para estacionar.
Prova disso foram os flagrantes do carro do próprio prefeito, estacionado sobre a calçada na rua General Carneiro, e do secretário de Trânsito Sérgio Buranelli, que parou sua viatura oficial numa vaga de táxi na Praça Nossa Senhora da Conceição. Tudo isso mostra que se tornou uma tarefa hercúlea encontrar uma vaga de estacionamento no centro e, por isso, o francano tem procurado outros pontos para fazer suas compras, onde não precisa se sujeitar aos altos preços do estacionamento (sem a possibilidade de fracionamento) que passou a ser cobrado.
Por isso, é necessário que o prefeito procure uma fórmula que não prejudique o comércio da região central (principalmente a pouco mais de um mês do Natal), que já registra grande queda nas vendas. Restituir as vagas de estacionamento, pelo menos até o começo do ano que vem, seria uma atitude sensata, no sentido de evitar prejuízos maiores aos lojistas do centro. Neste meio tempo, um diálogo com a Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), que defende a causa dos comerciantes, poderia chegar a um meio termo capaz de contemplar todos os envolvidos.
Porém, cabe à Acif, além de reclamar e reivindicar o retorno das vagas suprimidas, buscar alternativas à medida do prefeito. A falta de locais para estacionamento é patente no centro de Franca, mesmo sem a supressão determinada pelo prefeito, e é preciso que se encontrem fórmulas capazes de resolver as dificuldades enfrentadas pelos lojistas e pelos motoristas. O que não se pode é continuar neste jogo, onde os comerciantes reclamam e a Prefeitura faz de conta de que não é com ela. Uma solução sensata e fruto de um diálogo entre as partes interessadas é o caminho mais curto para que nem o trânsito, nem o motorista e muito menos o setor comercial sejam prejudicados. Dialogar é a maior necessidade diante desta situação.