Há um mês, comerciantes do Centro se reuniram com representantes da Prefeitura na Acif e relataram as dificuldades que estavam enfrentando por causa do corte nas vagas de estacionamento. Foi o dia em que o secretário de Segurança, Sérgio Buranelli, não encontrou um lugar e parou a viatura oficial em um ponto de táxi. Receberam a promessa de que teriam um retorno em 30 dias. O prazo venceu e o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) não deu nenhuma resposta. Cansados de serem ignorados, os lojistas foram à Câmara, ontem, e ameaçaram radicalizar. “Não queremos confronto, mas se não tivermos respostas, como não estamos tendo, infelizmente, não posso dizer o que vai acontecer”, afirmou o comerciante Luiz Barduco, que falou na tribuna em nome do grupo. Parar o Centro ou ingressar na Justiça são possibilidades avaliadas. Eles ganharam o apoio dos vereadores, que prometeram boicotar os projetos de autoria do Executivo se o prefeito se mantiver calado.
Pelo menos 40 comerciantes deixaram suas lojas e foram pedir socorro aos vereadores. Se queixaram da queda nas vendas, falaram das dificuldades de pagar o 13º salário e do risco de demitirem funcionários. A preocupação é que os negócios do Natal, melhor período do ano para o setor, possam ser afetados. “Tiraram o pão de nossa mesa. A coisa está apertando. Estamos ficando acuados. Quando nós, seres humanos, e os animais entramos em desespero, você sabe o que pode acontecer”, alertou Barduco.
O comerciante disse que o retorno das vagas é uma necessidade urgente. Ele reclamou que os lojistas são ignorados por Alexandre. “Queremos o diálogo, mas o prefeito não nos atende.” Barduco lembrou que ao longo da campanha eleitoral a situação era diferente. “Quando candidato, ele esteve nas lojas pedindo votos para nossos colaboradores e, hoje, não nos responde.” Na avaliação do lojista, não há nada de concreto que justifique a eliminação dos estacionamentos. “Não posso acreditar que o prefeito queira matar o Centro. Quem pediu? O prefeito cortou para atender a quem?”
O grito dos comerciantes surtiu efeito. O que se viu a seguir foi uma reação contundente dos vereadores. Josivaldo Bahia (PTB) foi o primeiro a chacoalhar a Câmara ao lançar a proposta de boicote aos projetos do Executivo. “Foi o povo quem elegeu o prefeito. Ele deve uma satisfação. Ou conserta a situação ou não passa mais nada aqui. Não adianta mais ficar enrolando.”
Luiz Vergara (PSB) aderiu à proposta. “Estou cheio de promessas que o prefeito não cumpre. Não vamos votar projetos enquanto não tivermos uma proposta decente. Os comerciantes precisam buscar Justiça. Vocês devem fechar as ruas e mostrar a força que têm.”
Laercinho (PP), que tem feito às vezes de líder do prefeito, tentou contemporizar e sugeriu que uma comissão fosse formada para conversar com Alexandre Ferreira. Foi censurado pelos colegas. “Temos é que pressionar. A fase de conversar já passou”, disse Márcio do Flórida (PT). Daniel Radaeli (PMDB) afirmou que a Câmara não deve mais dar um voto de confiança. “Quando o acordo foi feito, no mês passado, eu falei que não confiava e deu no que deu. O prefeito, simplesmente, ignorou. Se for preciso rebelar, vamos rebelar.”
Líder oficial do prefeito na Câmara, Adérmis Marini (PSDB) também engrossou o coro dos descontentes. “O Executivo precisa dar uma resposta definitiva. Não pode ficar mais protelando, pois o Natal está aí.”
Alexandre Ferreira estava em São Paulo e não ouviu as ameaças. Caso não se manifeste, os comerciantes prometem uma grande manifestação para os próximos dias. “Se depender de mim, o boicote será feito na Câmara”, finalizou Bahia.