Os três vereadores que compõem a CEI (Comissão Especial de Inquérito) do Ônibus se reuniram na manhã de ontem para tentar aparar as arestas e diminuir o desgaste político provocado pela falta de consenso que resultou na apresentação de três relatórios diferentes no fim da CEI. Parece ter surtido efeito. Depois de enviar uma nota defendendo um novo estudo sobre as planilhas de custo da São José, o líder do governo Adérmis Marini (PSDB) voltou atrás.
Ainda na noite de domingo, o tucano enviou um texto por e-mail ao Comércio apontando os desentendimentos que o levaram a não assinar os demais relatórios e apresentar o seu em separado. No mesmo texto, Adérmis defendeu a necessidade de um novo estudo sobre a redução da tarifa de ônibus, uma vez que o parecer apresentado pela empresa Única, de Campinas, teria sido desqualificado pelo presidente da CEI, Luiz Carlos Vergara (PSB).
Segundo o tucano, o ideal seria que a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) fosse a responsável pelo novo estudo. À época da CEI, a fundação foi descartada pelo “alto” preço cobrado, R$ 84 mil.
Depois da reunião a portas fechadas com Nirley de Souza (DEM) e Vergara, por volta do meio-dia de ontem, Adérmis desistiu de solicitar um novo estudo. Ele afirmou que, como o prazo da Comissão havia se encerrado na noite de sexta-feira, não havia embasamento para o requerimento. “Não tenho como fazer essa solicitação.”
O presidente da CEI disse que a decisão de desconsiderar o estudo feito pela Única foi porque a empresa utilizou como base os dados enviados pela própria São José. “O estudo não era imparcial. Só usou os dados da São José. Quando apontei o erro, a empresa se prontificou a realizar novos levantamentos e entregar um novo relatório, mas não o fez. Apresentou apenas um relatório prévio e equivocado, que não deve ser levado em consideração.”
A prova de fogo para saber se a reunião de ontem realmente conseguiu colocar fim nos desentendimentos entre os membros da CEI do Ônibus será a sessão da Câmara de hoje. No encontro, ficou acertado que nenhum dos três relatórios apresentados será lido no plenário. A ideia é evitar novas rixas. “Em vez da leitura, cada um dos três membros terá direito a 10 minutos na tribuna . Os vereadores receberão cópias dos relatórios em CD para poder lê-los em detalhe”, disse Vergara.
Resposta
O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) foi novamente procurado ontem para comentar os relatórios da CEI que o acusam de ter praticado crime ao assinar o acordo que beneficiou a São José, com novos prazos e perdão de obrigações previstas no edital. Mas por meio de sua assessoria, informou que só deve se pronunciar quando for oficialmente notificado sobre os relatórios.