A Estação de Tratamento de Esgoto de Ribeirão Preto trata 110 mil m3 de esgoto por dia, removendo 50 toneladas de carga orgânica. Utiliza-se, desde 2011, para gerar biogás, mais de 8 mil m3 por dia. O biogás aciona geradores que produzem 1,5 MW de potência, com capacidade de 752 kW cada. Custa, apenas, R$ 5 milhões. Considerando que Ribeirão Preto tem população de 650 mil pessoas, qualquer um pode ver o potencial energético de um dos maiores problemas das cidades, o esgoto.
No Brasil, há 90 cidades com mais de 300 mil habitantes. Considerando que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) financia empreendimentos arriscados, poderia investir alguns bilhões de reais em similares. Aliás, os próprios Estados poderiam organizar e incentivar iniciativas do tipo. No Estado de São Paulo, há 25 cidades com mais de 300 mil habitantes. São 24 milhões de pessoas. No Rio, são nove cidades, 11 milhões de habitantes. Em Minas Gerais, são oito cidades com quase seis milhões de pessoas. No total, 41 milhões de pessoas, com potencial para gerar em torno de 100 MW.
Há mais. Este mês, em Guatapará, próximo a Ribeirão, começa a funcionar a primeira usina de biogás de lixo doméstico do interior do Estado. Lá, é depositado o lixo de 19 cidades da região, 2,5 mil toneladas de lixo doméstico por dia. O metano liberado gerará, através de três motogeradores, mais de 4 MW. Para 2016, pode chegar a 10 MW. O investimento foi de R$ 40 milhões. Assim como as cisternas para o Nordeste, deveria haver política nacional para esse tipo de iniciativa. Quanto dejeto gera a indústria de laticínios, óleo vegetal, restaurantes, matadouros e abatedouros? É muito biogás que poderia ser produzido, mas, nada acontece porque as ‘otoridade’ preferem soja de agricultura familiar...
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)