Quem, com mais de 40 anos, não se lembra das Frentes de Trabalho, forma do governo federal ‘ajudar’ vítimas das secas do nordeste. Milhares açudes foram construídos assim. Por que lembrei disso? Porque o Bolsa-Família mostrou enorme fracasso na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada há semanas. O mais gritante foi a taxa de analfabetismo que não só parou de cair, como registrou pequeno aumento entre 2011 e 2012. Na faixa dos 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever representa 8,7% da população, ou 13,163 milhões de pessoas. A região mais preocupante é a do Nordeste, com 17,4% no total e 27% na faixa de 15 anos ou mais de idade. Eles representam 54% no país. Justamente a região que mais recebe Bolsa-Família e onde o PT tem mais votos.
O Pnad 2012 mostrou que os Estados de Tocantins, Paraíba, Pernambuco e Bahia tiveram os maiores aumentos nas taxas de analfabetismo e Alagoas tem o maior índice. A pesquisa também registrou a dificuldade de manter adolescentes nas salas de aula. Na faixa dos 15 aos 17 anos, a presença na escola é de 84,2% dessa faixa e entre os jovens de 18 a 24 anos, apenas 29,4% estudam. Se o governo criasse um ‘Mais Professores’ precisaria de uns 400 mil deles, para todo o ensino médio. Não gastaria mais de R$ 20 milhões. Quanto já se gastou com o ‘Mais Médicos’ até agora?
O Pnad 2012 também revelou que 42,9% dos domicílios do Brasil continuam sem rede de esgoto, quase 27 milhões de lares. E ainda temos 9 milhões de domicílios sem rede de água tratada. Não custa lembrar a necessidade premente de cisternas no Nordeste. Está aí outra oportunidade de Frente de Trabalho para um milhão de trabalhadores do nordeste, que, hoje, não procuram emprego ou não registram na Carteira de Trabalho com medo de perder aquilo que Lula já chamou de bolsa- esmola.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)