08 de julho de 2026

Um equívoco fenomenal


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Boas intenções não são garantia de correção. Em muitos casos, as boas intenções acabam criando um problema maior do que aquele que se tenta corrigir. É bem como diz o velho ditado: de boas intenções o inferno está cheio. E isto vem acontecendo em Franca no caso da mendicância, um problema encruado nas grandes e pequenas cidades do mundo. Por aqui, a Prefeitura Municipal tentou encontrar uma solução que, no final das contas, só aumentou mais ainda o problema, sem atacar o cerne da questão.

De acordo com reportagem que o Comércio publica nesta edição, o número de andarilhos se intensificou depois da abertura do Centro Pop (casa de acolhida ao morador de rua) em setembro. A situação está se tornando insustentável e provoca a reclamação dos comerciantes e dos moradores francanos que se sentem ameaçados e achacados pelos pedintes, que ficam parados nos sinais de trânsito em cruzamentos das avenidas Hélio Palermo, Ismael Alonso y Alonso, Flávio Rocha e Chico Júlio, entre outros pontos, e tentam arrecadar dinheiro dos motoristas e pedestres. Trata-se de uma situação mais que comum. Muitos já procuram evitar os locais onde os pedintes se concentram, o que pode até prejudicar o movimento do comércio no período da tarde e de bares e restaurantes no período noturno.

Diante da ocorrência de mendicância, a Secretaria de Municipal de Ação Social criou o Centro Pop, onde moradores de rua recebem alimentação, roupas, têm direito a banho e abrigo. O local tornou-se um satélite para esta população que, sem haver uma contrapartida, mantem-se nas ruas como pedintes. Como não há o seu envolvimento em atividades produtivas, estes elementos têm onde se abrigar sem que sejam obrigados a abandonar a prática da esmola.

Bem intencionada apenas, a secretária de Ação Social, Gislaine Peres, disse que reconhece o problema e pede um prazo para que a equipe do Centro Pop possa mostrar resultados. Mas ela deve entender que a abordagem está errada. No Brasil nas últimas décadas tornou-se comum utilizar o assistencialismo como resposta para qualquer problema nos extratos sociais mais carentes. E no caso da mendicância, deve-se sim auxiliar, alimentar, dar-lhes roupa e um teto. Mas deve-se exigir dos atendidos uma contrapartida produtiva. Trocando em miúdos: devem trabalhar para que façam jus à paga, para usufruírem das comodidades oferecidas pelo Centro Pop.

Do contrário, acontecerá - o que já vem sendo verificado - uma perpetuação do problema, além de atrair mais pedintes para as ruas do município diante das facilidades que encontram na mendicância com os benefícios da casa de acolhimento. Nenhum deles vai encontrar motivação para sair da rua, muito pelo contrário. O caminho encontrado pela Secretaria de Ação Social é equivocado, já que estimula a mendicância. É preciso que se encontre uma solução urgente, antes que a Cidade do Calçado se transforme na Cidade dos Mendigos.

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