Se você, como eu, já passou dos cinquenta anos, é bom não confiar muito em sua memória que, aliás, é reconhecida pelos especialistas como sendo uma das nossas ‘habilidades cognitivas’.
É de clareza solar que à medida em que envelhecemos, nossa memória vai piorando paulatina e inexoravelmente, por razões físicas e psicológicas.
É como se nossa reserva mental fosse sendo consumida pouco a pouco. Lembro-me bem que na minha infância e adolescência tinha extrema facilidade em decorar textos e poesias. Bastava que os lesse repetidamente, e, como em passe de mágica, conseguia memorizá-los, sem maiores dificuldades.
Nesse bom período da vida consegui decorar dezenas de poemas, alguns com várias e várias estrofes, como por exemplo, Navio Negreiro e Orgulhosa, ambos atribuídos a Castro Alves.
Hoje são pouquíssimos os versosque ainda me lembro e, pior, quando tento recitá-los aos amigos, pago ‘mico’ pelo inesperado lapso da memória.
Segundo o dr. Dráuzio Varella, ‘a perda progressiva da memória associada ao envelhecimento é característica comum a conjunto de patologias que a medicina classifica como demência, termo que nada tem a ver com loucura’.
Para os ‘experts’ no assunto, sedentarismo e obesidade são grandes inimigos do cérebro. Já exercícios físicos e estímulos intelectuais, como o hábito da leitura e a prática de fazer palavras cruzadas, são atividades que protegem o cérebro e, consequentemente, nossa memória.
A medicina ainda não sabe a causa exata do Mal de Alzheimer, mas sabe-se que ocorre com mais frequência entre aqueles que usam menos os estímulos intelectuais.
Portanto, vamos fazer exercícios físicos e mentais, procurando arquivar mais na nossa memória e menos na memória do computador, para garantirmos uma terceira idade mais saudável.
SETÍMIO SALERNO MIGUEL
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca