Evitar sair de casa à noite e tentar manter uma relação de cumplicidade têm sido algumas das saídas encontradas por moradores e comerciantes de três regiões de Franca, que nos últimos meses foram ocupadas por pedintes. Eles ficam parados nos sinais de trânsito em cruzamentos das avenidas Hélio Palermo, Ismael Alonso y Alonso, Flávio Rocha e Chico Júlio e tentam arrecadar dinheiro dos motoristas e pedestres.
A ação, rotineira em grandes cidades, tem se tornado cada vez mais comum no município, afirmam os lojistas. Basta percorrer alguns desses trechos, de modo especial no período da tarde, para ser alvo da abordagem.
Segundo o comerciante Maurício Ramos, na avenida Hélio Palermo, o número de andarilhos se intensificou depois da abertura do Centro Pop (casa de acolhida ao morador de rua) em setembro. “É um problema corriqueiro e incomoda. A casa deveria ter um horário estendido e as pessoas deveriam não dar dinheiro”, disse Ramos, que já chegou a contabilizar até seis pedintes num único semáforo.
O vizinho dele, Mateus Freitas, diz que os pedintes se aglomeram na porta da loja e abordam os clientes na tentativa de conseguir uma esmola. “É constrangedor e atrapalha. A gente não tem tranquilidade. Damos bolacha e café para evitar que a situação piore”, reclama o também comerciante Leonardo Bianco.
Na churrascaria Zebu, o gerente Adriano Júnior Prezotto contratou um segurança para oferecer maior tranquilidade aos clientes. Segundo ele, os pedintes ocupam o estacionamento do restaurante e cercam funcionários e clientes na chegada.
Na avenida Alonso Y Alonso, próximo ao Viaduto Dona Quita, o cenário não é diferente. Na pista sentido Centro - avenida Major Nicácio, a presença de pedintes virou rotina principalmente aos fins de semana.
Para a dona de casa Valmira Pimenta, moradora da avenida Chico Júlio, o problema naquela região é diário e se agrava no fim de tarde. Segundo ela, a situação ocorre pelo fato da via ser passagem para o Abrigo Municipal, situado na Vila Gosuen e ter um grande fluxo de veículos. “É um verdadeiro tormento. Se a gente fica em casa, eles batem pedindo. Se saímos, somos abordados no sinal e para piorar, estamos cercados por três semáforos e em todos, eles estão presente.”
‘Não conseguimos resolver em curto prazo’
A secretária de Ação Social, Gislaine Peres, disse ontem reconhecer o problema e pediu um prazo para que a equipe do Centro Pop - inaugurado em setembro - possa mostrar resultados. “Temos um mês e meio de trabalho. Estamos empenhados, mas não conseguimos resolver as questões em curto prazo.”
Segundo a secretária, a ação de pedintes já ocorria antes da implantação do Centro Pop e a população pode colaborar não dando dinheiro. “Nós fazemos um trabalho com os usuários do Centro Pop mostrando que eles não precisam ir para as ruas pedir. No Centro, eles encontram tudo o que necessitam.”
Ainda de acordo com a secretária Gislaine Peres, a adesão aos serviços do Centro Pop é voluntária e o município não pode forçar os pedintes a saírem das ruas e frequentar o programa. “A ideia é enfrentar, persistir, tentar convencer do atendimento.”