Matéria publicada na edição deste domingo do Comércio trouxe à tona, novamente, um drama que assola francanos há anos e anos; a fila de espera pela cirurgia eletiva. Atualmente, mais de 6.600 francanos aguardam pela chance de realizar uma intervenção cirúrgica para resolver problemas considerados não emergenciais, mas que, normalmente, comprometem a qualidade de vida do paciente.
Esse ano foram realizadas quase 4.300 procedimentos - incluindo pacientes da região, mas como a fila recebe dezenas de novos pacientes a cada dia, o volume parece nunca diminuir. Em um cálculo simples, a reportagem mostra que seria necessário cerca de um ano e dois meses realizando 480 cirurgias por mês e sem que nenhum novo caso fosse registrado, para se zerar a fila. Como nem uma coisa nem outra é realidade (o volume de cirurgias realizadas por mês atualmente gira em torno de 220 e, a cada dia, 33 novos pacientes entram na lista de eletivas) a solução do problema parece distante.
Mas o que incomoda sobremaneira é o tempo de espera. Há pessoas na fila que aguardam a cirurgia por anos. Uma das perguntas que ficam no ar é: por que os casos mais antigos não têm alguma prioridade da resolução do problema? A secretária municipal da Saúde de Franca, Rosane Moscardini, disse que as cirurgias de baixa e média complexidade, como catarata e hérnia, são realizadas com mais rapidez, mas que as consideradas de alta complexidade, como as ortopédicas, demoram mais porque “exigem que o paciente fique, pelo menos, três dias internado”. Mas é fato que há, entre as pessoas que esperam há muito tempo, casos de cirurgias de baixa e média complexidade. Ainda assim, permanecem sem o atendimento mais rápido.
O alento, para essas milhares de pessoas que aguardam pela intervenção, é que até o final do ano a realização das cirurgias eletivas deve receber um impulso. Segundo a secretária da Saúde, a prefeitura deve investir R$ 3 milhões de recursos próprios no setor. Também há um convênio entre a Secretaria Estadual de Saúde e a Santa Casa que prevê a manutenção da realização de 222 cirurgias por mês. Este ano foram 1.499 intervenções com o dinheiro do Estado e outras 2.796 com recursos da Prefeitura.
O número de atendimentos, como já exposto, é insuficiente para atender a demanda. Para ajudar a reduzir o problema, alguns pacientes de Franca têm sido encaminhados para atendimento em outras cidades da região, em virtude da falta de capacidade operacional da Santa Casa local para atender a todos. Diante disso, a prefeitura compra serviços médicos em Patrocínio Paulista e Ituverava, por exemplo, para que os francanos possam ser atendidos. Claro que toda medida é válida para acabar com o sofrimento de quem está há anos na fila. Mas não deixa de soar estranho que a cidade sede da região - que em tese deveria ter os melhores e mais completos recursos em saúde, principalmente - tenha que recorrer às suas vizinhas.