Nome de confiança da prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera (PSD), o francano Tanielson Wagner Cristiano de Campos, 35, nunca pensou que um dia assumiria um cargo público. Engenheiro civil de formação, ele foi escolhido ainda na primeira gestão da prefeita da cidade vizinha para assumir a recém criada Secretaria de Turismo. Antes, o engenheiro também foi superintendente do Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto). Passados pouco mais de três anos à frente da secretaria de Turismo, o francano radicado em Ribeirão desde os tempos de universitário, trabalha agora para estruturar o município tendo em vista a Copa do Mundo de 2014 (Ribeirão foi escolhida para receber a seleção da França) e fazer com que a região também seja favorecida.
Filho de professores e membro do Rotary Club, Tanielson é casado, pai de um menino de dois anos e quase não tem parada. Em razão da função que ocupa está sempre em viagem de trabalho para divulgar Ribeirão Preto e região. Neste mês, em menos de uma semana, ele representou a prefeita em um evento em São Paulo, sediou um encontro regional de turismo em Ribeirão e viajou para a China para fazer duas palestras sobre Ribeirão como polo de atração de indústrias.
Grande conhecedor dos atrativos turísticos regionais, o secretário da “capital do chopp” fala de como prefeitos e empresários devem se unir para desenvolver o turismo local, destaca o passo importante que Franca deu em conquistar a indicação de procedência e reconhece as belezas naturais da região como autopromotora do turismo. “A natureza desta bela região se vende por si mesma”, elogia Tanielson.
Qual sua relação com Franca?
Sou francano, filho dos professores Wagner de Campos e Nilza Cristiano. Minha mãe lecionou por 31 anos na Escola Pestalozzi, ali fui matriculado na educação infantil e só saí com o ensino médio completo. No ano seguinte, fui para Ribeirão Preto, estudei no Moura Lacerda e conclui engenharia civil. Também sou pós-graduado em gestão urbana pela Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), com a conclusão do curso realizada na Escócia.
Como se tornou secretário de Turismo de Ribeirão Preto?
Trabalhei na Ambiental Engenharia por dez anos, chegando à diretoria da empresa. Nesse período tive contato com a prefeita Dárcy Vera, que em março de 2009, me convidou para assumir a superintendência do Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto), onde permaneci durante um ano e meio. Nesse período, a autarquia implantou e inaugurou projetos de modernização da captação do Aquífero Guarani e fez a ampliação da rede de distribuição com tecnologia e maquinário de última geração. Fiquei no Daerp até agosto de 2010, quando também por convite da prefeita assumi a Secretaria de Turismo.
De engenheiro civil a secretário de Turismo. Você pensou que um dia assumiria um cargo público em uma prefeitura como a de Ribeirão Preto?
Jamais pensei em emprego público. Uma vez concluída a universidade, depois de doze anos já era diretor da empresa Ambiental Engenharia e foi quando a prefeita Dárcy Vera honrou-me com o convite para assumir a superintendência do Daerp. Aceitei o desafio e lá fiquei por um ano e meio. Com a criação da Secretaria de Turismo, seu primeiro titular demitiu-se e fui escolhido para substituí-lo. Respondo pelas funções há três anos e dois meses. O secretário de Turismo de Ribeirão Preto, não pode ficar no gabinete, a área é dinâmica, exige centenas de contatos mensais, além de inúmeras viagens, com sacrifício da própria família.
Atualmente a Prefeitura de Ribeirão Preto tem dois francanos em secretarias de destaque (você no Turismo e o Sérgio Nalini na Fazenda). Como você vê essa representatividade?
São duas importantes secretarias. O colega e competente Nalini zela pelo orçamento e faz trabalho exemplar. A Secretaria de Turismo apoia todos os segmentos, para ‘vender’ Ribeirão, trazendo dinheiro, direta ou indiretamente para o cofre municipal, cuja chave está nas mãos do conterrâneo Nalini.
Como a Secretaria de Turismo de Ribeirão Preto trabalha para valorizar o turismo regional?
O Ministério do Turismo aponta Ribeirão Preto como uma cidade referência no setor. Capital nacional do interior, ela está à frente de seu tempo, acima da média brasileira de eventos e negócios. Evento aqui é sinônimo de sucesso, traz riqueza e gera empregos. Sem oferecer recursos, a secretaria está apta a motivar e atender os interessados em utilizar nossa estrutura, mediando para que o evento se efetive. Não há uma semana sequer sem eventos, e ou, negócios. O trabalho da secretaria é fazer girar o turismo, economia mundialmente reconhecida e isso tem um efeito multiplicador e consolida o potencial de toda a região.
Desenvolvendo o turismo em Ribeirão Preto, a região também é beneficiada? De que forma?
A região abriga 4 milhões de pessoas, quase 1 milhão somente em Ribeirão e Franca. Todas as cidades pensando alto, sem bairrismo, devem valorizar o seu potencial e reconhecer o chamamento turístico orbital. Quem se hospeda em qualquer cidade da região, quer comprar sapatos made in Franca, os cosméticos produzidos na cidade, conhecer a emergente indústria de lingerie, aplaudir mouros e cristãos nas Cavalhadas, ler seus escritores e artistas plásticos. Conhecer o comércio de rua, shopping, sua gastronomia, feira e festivais, teatros, as arrancadas que atraem grande público em pista própria, sem falar na hegemonia do basquete. Por que não falar em Franca, do turismo orbital: corridas hípicas, Mosteiro de Claraval, encontros religiosos, as furnas do Vale Bom Jesus, em Pedregulho, as represas do Rio Grande e mais. A região faz a leitura do seu potencial, o turismo orbital alimenta hotéis, bares, restaurantes e lojas de qualquer natureza. É o que Ribeirão faz, com a força de quase uma centena de cidades e com o mesmo propósito: inventar uma máquina de dinheiro. Essa máquina legal atende pelo nome de turismo.
A região de Franca, de modo especial, tem potencial para desenvolver o turismo?
Evidente que sim. Ela não é apenas conhecida, é reconhecida mundialmente pela importância de seu parque fabril. Outros setores buscam a mesma projeção, Franca é um pólo regional. O mapa da mina está aí. A união de interesses tem de sair do papel. Mas cada povo tem suas ideias, história, riqueza, cultura e vida. Isso define os rumos do turismo regional: respirar fundo uma atmosfera de turismo.
Então por que é tão difícil desenvolver o turismo na região?
A política em algumas cidades, às vezes, é odiosa. Perdeu nas urnas, passa o mandato todo sem apoiar boas ideias. Turismo exige união de forças, sob pena de enfraquecer o merchandising. E todos perdem. Lembra do trem turístico de Pedregulho até a margem esquerda do Rio Grande, praia de Rifaina? Essa política odiosa fez perder tudo. Franca perdeu até a sua Maria Fumaça. Por onde estará apitando agora a locomotiva 405?
Rifaina é conhecida como o Guarujá do interior. Como o senhor analisa o turismo dessa cidade? Quais os pontos positivos e o que falta para atrair ainda mais turistas?
Ter uma praia é o sonho. Causa inveja. Mas o sentimento se dilui com o sol e o primeiro mergulho nas águas represadas do Rio Grande. A praia vende Rifaina, que vira notícia na TV com seus eventos, banhistas, tudo sai na telinha da TV, vendendo Rifaina para milhões. É imperativo criar atrações e eventos. Mais empregos, cordialidade e todos saem ganhando. O turista, tratado como rei da praia, volta por dias. Vem e vende, num efeito multiplicador, a mais badalada praia do Vale do Rio Grande.
Em Franca sempre se falou em turismo de negócios. Como ele pode ser trabalhado? A indicação de procedência do calçado ajuda?
Sim, são avanços inestimáveis. A procedência do parque fabril francano é a grife, o calçado com essas medidas, realiza o sonho de consumo de muitos, pois nasce em berço de ouro. O industrial faz a sua parte, o operário vende o seu trabalho. Capital e trabalho se agregando, mas o comerciante do país valoriza o produto na hora de vender? Se não o faz, perde. Há trabalho neste sentido? Então falta a atração principal, o evento. Reunir o empresário, o comerciante, autoridades da área, e criar a atração. Eis o turismo de negócios.
Quais os benefícios que a Copa do Mundo e, de modo especial, a vinda da seleção francesa para Ribeirão Preto, pode trazer para a região?
A delegação francesa quis conhecer o riberãopretano, sua gente, seu modo de ser. Os franceses criarão em 2014 a França do Nordeste paulista. Durante 30 dias, a região receberá a mídia internacional, craques famosos, profissionais da área, familiares dos jogadores, torcida, uma romaria à região. Comprarão de tudo, já conhecem o calçado francano. Assim como a transmissão da Stock Car, ao vivo, mostra Ribeirão para 70 países, a imprensa falará da região para bilhões de pessoas ao reportar a seleção francesa. Uma legião fará o turismo regional e comprará muito calçado. Fico a imaginar a reação, quando souberem que a 80 quilômetros da sede de sua delegação, há uma “França” que parece ter trocado a cedilha por 500 indústrias que fabricam um tesouro para os pés: calçados, ornados com a mesma cedilha da França.
Na região de Franca, quais cidades têm mais potencial e estão mais preparadas para trabalhar o turismo?
Falamos sobre Franca, agora é unir os poderes constituídos, a sociedade civil e seus mais representativos segmentos. A região tem atrações em todas as cidades, é promover a pecuária, agricultura, festas, eventos de qualquer natureza. As cidades de Rifaina, Miguelópolis e as do Circuito Uai Paulista (projeto da Secretaria Estadual de Turismo que visa incentivar a vinda de turistas para a região de Franca) têm um charme diferente com praias fluviais e levam vantagens com esportes náuticos. Há uma gama de opções regionais.