08 de julho de 2026

Propaganda para quê?


| Tempo de leitura: 2 min

Ouvi o filho de um turista gritar: vamos ir para a praia! Ninguém o corrigiu. Considerando que eram pessoas da classe média alta, o que pensar do resto da população? A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome gabou-se de que o Brasil conseguiu reduzir em dois terços o trabalho infantil nos últimos anos. Porém, ainda temos 1,5 milhão de adolescentes com menos de 16 anos trabalhando e dois milhões de jovens acima de 16 anos no mercado informal. O governo ainda afirma que o quer tornar a escola mais atrativa. Estão no poder há onze anos e só agora viram?

O Brasil é a sexta economia do mundo, mas é o 94º pior país com trabalho escravo. São 200 mil pessoas nesta condição. Bolsa-Escola parece ser a melhor e mais barata solução.

Um estudo da Polícia Rodoviária Federal constatou exploração sexual, sobretudo turismo sexual infantil nas rodovias federais. Foram identificados 1.776 pontos de risco. Desde 2006, 3.800 crianças e adolescentes em situação de perigo foram encaminhados a conselhos e órgãos de proteção espalhados pelo país. Essa não é preocupação do governo? Qual é o fenômeno? Todas as áreas do governo federal são mal avaliadas, mas a presidente é bem avaliada... Que mágica é essa? Gastos com propaganda talvez explique. Nos dois primeiros anos da gestão Dilma, os gastos foram um quarto maior, do que seu antecessor. E olha que Lula também intensificou gastos depois do Mensalão. Aliás, este escândalo mostrou como se frauda fácil o Erário: propaganda!

Em dez anos foram R$ 16 bilhões, excluindo o Banco do Brasil que não quis informar seus gastos entre 2003 e 2009. O Estado de São Paulo gastou um sétimo disso e todos sabem o tamanho do PIB paulista? Com esses recursos daria para 30 km de metrô em São Paulo. O Brasil não precisa de propagandas mas de soluções.

Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)