O Brasil vem lutando de forma sistemática, pelo menos há duas décadas, contra o flagelo da dengue, que continua fazendo vítimas no País e enseja estudos para a criação de uma vacina contra o mal transmitido pela picada do mosquito Aedes Aegypti. O País já foi atingido por epidemias da doença em alguns períodos e, embora tenha conseguido reduzir a incidência, não conseguiu chegar a níveis considerados de menor risco para a saúde da população.
Do início do ano até 21 de setembro foram notificados 1,4 milhão de casos de dengue no País, segundo o Ministério da Saúde. O número é quase três vezes maior que o do mesmo período de 2012, quando foram registrados 537 mil casos. De acordo com o mesmo levantamento, 530 pessoas morreram por causa da doença -- em 2012 foram contabilizadas 283 mortes --, um aumento de 87,2% em relação ao ano passado. Os dados indicam que a incidência da doença atualmente é de 759 casos por 100 mil habitantes. A assessoria de imprensa do ministério ressalta que os números ainda podem ser alterados, já que as informações são constantemente revisadas. A Região Sudeste concentra o maior número de casos (63,6% do total). Em seguida vem as regiões Centro-Oeste (18,4%), Nordeste (9,9%), Sul (4,8%) e Norte (3,3%).
Como se pode ver, embora tenha praticamente sumido dos noticiários, a dengue continua causando suas vítimas, inclusive fatais, no Brasil. A principal forma preconizada pelas autoridades médicas é que somente com a ajuda da população será possível pelo menos reduzir a incidência da contaminação. O Ministério da Saúde ressalta que, no período de dezembro a maio, a população deve redobrar os cuidados com suas casas, verificando o adequado armazenamento de água, o acondicionamento do lixo e a eliminação de todos os recipientes sem uso que possam acumular água e virar criadouros do mosquito. Os agentes sanitários têm encontrado alguma resistência para auxiliar na eliminação dos criadouros. Muitas vezes são impedidos de entrar nas residências e, quando houve epidemia, até a Justiça teve que intervir para garantir o trabalho dos servidores.
Aos primeiros sintomas da dengue (febre, dor de cabeça, dores nas articulações e no fundo dos olhos), a recomendação é que a pessoa procure o serviço de saúde mais próximo. É fundamental não tomar remédio por conta própria -- pois isso pode mascarar sintomas e dificultar o diagnóstico -- devendo estar alerta para sinais de agravamento, como vômitos e dores abdominais. Porém, a recomendação esbarra na própria mania brasileira da automedicação. Muitas vezes, a contaminação pela dengue é descoberta tarde demais, quando os pacientes se medicaram por conta própria contra o que consideram um simples resfriado ou gripe. Na maioria dos casos esta demora acaba sendo fatal. Por isso, todo cuidado é pouco diante de uma doença que continua matando (e não apenas no Brasil). Enquanto não for criada uma vacina capaz de imunizar contra a dengue, apenas a prevenção será capaz de eliminar o perigo a que todos continuamos expostos em pleno século XXI.
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