“Ele vende drogas. O menino entra e sai a todo momento do quintal.” As palavras de uma dona de casa aposentada de 69 anos, aliada a várias denúncias e campanas realizadas pela polícia levaram o neto dela, de 19 anos, anteontem, para a cadeia. Um estudante de apenas 12 era seu comparsa. Ambos responderão por tráfico de entorpecentes, crime considerado grave, após passarem pela Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes).
O fato ocorreu no Jardim Ângela Rosa, quinta-feira, 24, dia em que a criança comemorou aniversário. Se a ocorrência fosse 24 horas antes, por lei, o estudante não poderia ser encaminhado à delegacia.
Desde maio, o servente desempregado JPAS, 19, sendo monitorado pela polícia. Na ocasião, ele foi flagrado com 16 porções de maconha e uma granada sem marca aparente, mas de uso exclusivo do Exército. Na oportunidade, ele não foi preso. Ao longo dos últimos meses, denúncias do seu envolvimento com o tráfico foram constantes.
Em setembro, segundo apurou a polícia, ele aliciou o estudante, então com 11 anos, para ajudá-lo na venda de drogas. Quinta-feira, durante patrulhamentos, PMs detiveram o desempregado com duas porções de maconha na boca. O garoto, que estava com ele, dispensou outras duas e fugiu de bicicleta.
Nas buscas, PMs estiveram na casa do menino, onde ele foi localizado junto com quatro porções de maconha em seu quarto. A mãe alegou que não sabia que o filho estava envolvido com o crime. Na residência do desempregado, próximo a um muro, foram apreendidas seis porções de cocaína. O garoto, que estava completando 12 anos, negou envolvimento com o jovem de 19 anos, disse que nem o conhecia, e que a maconha encontrada em sua casa era para consumo próprio. O rapaz apresentou a mesma versão, mas a avó, com quem mora, desmentiu os dois. A idosa, além de afirmar que sabia que o neto embalava e vendia drogas, não poupou o menino. “Ele frequenta minha casa todos os dias e hoje (quinta) entrou e saiu várias vezes.”
A dupla foi apresentada na Dise. O delegado Djalma Donizete Batista, após tomar conhecimento dos detalhes da ocorrência e ouvir depoimentos, determinou a elaboração do auto de prisão em flagrante. O desempregado foi para o CDP. O aniversariante do dia foi para a Fundação Casa, tornando-se o interno com menor idade da repartição.
História recorrente
A apreensão do garoto de 12 anos por tráfico remonta ao caso de outro da mesma idade, envolvido em vários crimes para manter o vício em drogas. O menino foi internado no início da semana em uma clínica de recuperação por determinação da Vara da Infância e Juventude de Franca. O promotor de Justiça Augusto Soares de Arruda Neto, em entrevista para falar sobre a internação, deixou um recado que deverá ser aplicado ao garoto que tinha seu ponto no Jardim Ângela Rosa. “Infelizmente, a droga está muito próxima. Continuamos internando adolescentes na Fundação Casa. É bom que a população saiba: se vender drogas, virá a internação”, declarou o promotor.