10 de julho de 2026

DIG investiga golpe do falso emprego; base é na Paulo VI


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A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) anunciou ontem que apura denúncias de estelionato contra uma empresa de promoção de vendas e marketing direto. Instalada em um amplo prédio da avenida Paulo VI, no Parque Francal, a empresa é suspeita de atrair interessados por meio de anúncios de emprego e aplicar o golpe. A vítima chegava imaginando que seria contratada para trabalhar, mas era convidada a se associar a um projeto que prometia ganhos exorbitantes. Quem aceitou e aplicou dinheiro, acabou não tendo o retorno anunciado.

Doze pessoas que trabalharam no local já foram ouvidas e confirmaram que foram atraídas pela promessa de participação nos lucros. Elas investiram para serem sócias minoritárias, não viram o retorno e não acreditam que possam reaver o dinheiro. A polícia apreendeu cerca de 150 currículos e deve intimar a maioria para prestar declarações.

O delegado Márcio Garcia Murari, que comanda as investigações, disse que a polícia passou a suspeitar do golpe após denúncia anônima. Ele explicou que as vítimas foram atraídas por anúncios que prometiam ganhos superiores a R$ 8 mil como gerente regional. “No lugar do emprego, ele (o responsável pelos anúncios) convidava as pessoas a investirem na abertura de uma empresa própria para prestarem serviços de venda e entrega de produtos alimentícios via internet, o que nunca ocorreu”, disse Murari.

“Supermercado online”. Este era o nome do projeto, segundo declarações do acusado em depoimento na DIG. Segundo ele, a unidade seria a gestora do sistema e das empresas daqueles que aceitaram a sociedade, as intermediárias entre os clientes e os supermercados. O projeto também previa a implantação de distribuidoras e revendas de gás de cozinha.

“Quem o vê falando do projeto é induzido a acreditar na possibilidade de ganhos extraordinários. Tudo parecia perfeito, mas ficávamos lá sentados, por dias, sem ter nada o que fazer, esperando o projeto sair do papel, mas ele sempre tinha uma desculpa”, desabafou um jovem que entregou R$ 2.500 ao suspeito e não acredita que possa recuperar o dinheiro. Outros quatro que “investiram” entre R$ 500 e R$ 1 mil também estavam na DIG para depor na manhã de ontem e confirmaram a história.

“Ele vinha agindo desde o início do ano. Cada vez que um grupo desistia, ele fazia novos anúncios e atraía outras pessoas. Com o passar dos dias, elas desistiam. A maioria recebeu notas promissórias como promessa de devolução do dinheiro. Os compromissos nunca foram honrados”, disse Murari, que deve indiciar o suspeito por estelionato.

Interrogado na terça-feira, o dono da empresa negou o golpe. O prédio que ele ocupa é um dos mais vistosos da Paulo VI, mas no interior há apenas uma mesa na recepção e nos fundos, uma central de telemarketing antiga. O prédio foi cedido sem custos ao suspeito. Ao final, ele foi liberado.