08 de julho de 2026

Movimento como cura


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Rogério Raddi se formou em 2003 e atende a domicílio

Quem acompanha futebol sabe que uma das histórias mais surpreendentes de recuperação nesse meio foi protagonizada pelo então esbelto Ronaldo. Em 1999, quando vestia a camisa da Inter de Milão, o brasileiro sofreu uma grave lesão no joelho, responsável por “tirar” três anos de sua carreira. Recuperado, o Fenômeno jogou no Real Madrid, mas, quando vestia a camisa do Milan, em 2008, novamente seu tendão patelar do joelho esquerdo foi afetado e o camisa 9 caiu em campo, gritando e chorando de dor. Com aquelas imagens, comentaristas e especialistas decretaram o fim de sua carreira. Porém, graças à fisioterapia intensa, Ronaldo voltou a jogar e ainda deu alegrias aos torcedores corintianos.

Apesar da boa dose de força de vontade, o Fenômeno só conseguiu jogar a Copa do Mundo de 2002 (quando o Brasil conquistou o Penta) e liderar o Corinthians em sua reconstrução, graças ao trabalho de seu time de fisioterapeutas, que foram capazes de recuperar o atleta de suas lesões e ainda lhe garantir condições físicas para voltar a jogar. Essa história é apenas um exemplo da importância desse tipo de profissional, que usa métodos como massagem e ginástica, com a finalidade de restaurar e desenvolver a capacidade física e funcional do paciente. E já que na semana passada foi celebrado o Dia do Fisioterapeuta, o Se Liga resolveu contar um pouco sobre essa profissão, que se destaca ainda por possuir um amplo leque de atuações e especialidades diferentes, que vão desde a fisioterapia esportiva até neurológicas (veja mais em quadro nesta página).

Mas, antes de mais nada, precisamos saber qual é a definição de fisioterapia. “É uma ciência da Saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações genéticas, por traumas e por doenças adquiridas”, destaca a definição “oficial” do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. O fisioterapeuta, por sua vez, “é um “profissional de saúde, com formação acadêmica superior, habilitado à construção do diagnóstico dos distúrbios cinéticos funcionais, a prescrição das condutas fisioterapêuticas, a sua ordenação e indução no paciente bem como, o acompanhamento da evolução do quadro clínico funcional e as condições para alta do serviço”.

Em Franca, de acordo com dados do conselho, existem 496 profissionais ativos. Um deles é Rogério Raddi, 34, que se formou em 2003 pela Universidade de Franca e se especializou em fazer atendimentos a domicílio. “Sempre gostei de esportes e, nesse ambiente, lesões são normais. Foi justamente essa curiosidade de saber como isso acontece e como evitar que me chamou a atenção”, disse. ““Para se dar bem nesse ramo é preciso ter curiosidade e força de vontade para entender o funcionamento de todo o corpo humano, já que até com a parte neurológica nós trabalhamos. Além disso, ter uma certa facilidade com as mais diversas áreas do conhecimento é fundamental, já que esse estudo usa desde física até biologia e, claro, anatomia, em seus tratamentos”, disse ele.

Segundo o Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais do Estado de São Paulo, a média salarial do profissional da área gira em torno de R$ 4.800. Mas, antes de chegar lá, é claro, há que se formar.

Quem optar por fazer o curso de graduação em fisioterapia pode se preparar para ter muitas aulas de biologia, anatomia, fisiologia, patologia e histologia, principalmente no primeiro dos 4 anos de curso. O aluno estuda saúde pública, recursos terapêuticos manuais, neurologia, ortopedia e traumatologia. A partir do segundo ano, aumenta a carga de aulas práticas, nas quais se aprendem técnicas de tratamento como a massoterapia (massagem) e termoterapia (aplicação de calor ou frio). O estágio é obrigatório e, normalmente, feito em clínicas das próprias faculdades.