09 de julho de 2026

O mar não está pra peixe


| Tempo de leitura: 3 min
A tilápia pode ser comprada na capital por módicos R$ 4,83 o quilo. Aqui, pagamos no mínimo R$ 14, na feira, comprando do próprio pescador

Fico bem chateada quando indago qualquer fornecedor sobre os altos preços de transporte de mercadorias da capital até Franca, não somos fim de linha alguma, acima de nós tem um mundo de coisas e gente. Os interesses políticos é que ditam os custos, independentemente do que digam os fornecedores.

Meu Deus, onde fica o Alasca? A que distância está o Alasca de nós? O difícil não é sair do Alasca até São Paulo, o difícil é chegar de São Paulo até Franca! Pelo menos é o que podemos deduzir da experiência e do assunto de capa do caderno Comida, da Folha de São Paulo.

A vida de quem serve peixe e de quem quer comê-lo não é fácil porque tem que pagar e caro. A desculpa primeira é com relação ao alto custo porque o mar mais próximo de nós está a uns 600 km. Mas e o rio mais próximo de nós? O lago mais próximo de nós? Fiquei estupefata com essa matéria porque ela nos conta que o Alasca e o Canadá, o Peru estão de olho em nosso crescente mercado consumidor de peixes e nos apresenta, eu diria, quase nos “presenteia”, com peixes que custam R$ 4 o quilo, a Anchoveta, por exemplo, pescada no Peru, possui carne mais saborosa, mais firme, mais nobre, portanto, que a sardinha que custa de R$ 6 a R$ 12 o quilo.

A tilápia, por exemplo, deve ser hoje o peixe mais consumido pelo brasileiro, além do sabor suave e da carne branca, tem melhor preço, porque criada em cativeiros de água doce, ao contrário do que disse a Folha, consegue-se baratear o custo. Não exatamente aqui. A tilápia pode ser comprada na capital por módicos R$ 4,83 o quilo! Aqui, pagamos no mínimo R$ 14, e se for o filé entre R$ 24 e R$ 28 o quilo. E não falo do preço dos grandes fornecedores não, compro tilápia na feira, do próprio pescador, fisgada aqui no Rio Grande e o preço é o mesmo.

Acho que hoje o maior produtor de tilápias é o Estado do Ceará, os açudes de Orós e Castanhão abrigam o que se chama de tanques redes, a produção é de cerca de 150 toneladas de peixe por mês. Mais de 500 famílias vivem da renda que a tilapicultura fornece. Uma ótima alternativa, uma vez que a seca castiga o nordeste (há dois anos meus primos lá de Icó são obrigados a abandonar a roça seca e se empregarem na construção civil em São Paulo).

No entanto, essa criação de cativeiro é aquela velha conhecida: animais estressados, muitas vezes contaminados por bactérias, agora são até vacinados! Recebem a partir do 10º dia de vida, ração com hormônio masculino, portanto, são todos machos, porque assim crescem e engordam mais. Pobres tilápias: não recebem estímulo sexual, não precisam lutar pela comida, um monte de machos nadando apertados num tanque estéril, se ao menos nos fossem baratos...


DICA DA SEMANA

Peixe na crosta de sal

Somente depois de trabalhar com restaurante pude dimensionar o quanto as pessoas amam a carne branca e leve da maioria dos peixes.

Mas esta carne delicada ganhou fama não apenas por seu sabor, é também conhecida pelas infinitas formas de cozimento e pelas inúmeras técnicas de manter o seu interior úmido enquanto sua pele se torna crocante e dourada.

Uma maneira muito eficiente e pouco conhecida é assá-la na crosta de sal. Use cerca de 1,3 kg de sal grosso para cada 900 g de peixe inteiro, porém limpo. Faça uma camada de 5 cm de sal no fundo de uma panela pesada e sem qualquer acessório em plástico ou madeira. Coloque o peixe inteiro sobre o sal e cubra com o restante, borrife água e asse a 220 graus por 30 minutos. Quebre a camada de sal com um martelo de bater carne, mantenha o peixe inteiro e retire o excesso de sal com a ajuda de uma escova. Sirva em seguida.