08 de julho de 2026

O exemplo vem de cima


| Tempo de leitura: 2 min

O Brasil ainda hoje é considerado o País da impunidade. Dificilmente entes públicos, mesmo condenados, acabam na cadeia. A grande maioria consegue protelar de forma quase eterna os processos nos quais é envolvida, contando com uma série de recursos que a lei faculta, acabando por ver seus crimes prescritos sem que haja a necessidade de cumprimento da pena. Ocupantes de cargos eletivos (de vereadores a Presidente da República) contam ainda com o benefício do chamado foro privilegiado: só podem ser processados, julgados e condenados (ou não) pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Por isso é que ainda hoje, quando o Supremo busca moralizar a aplicação da Justiça sobre políticos e autoridades públicas, há quem se considere acima da lei que pune os simples mortais. Da mesma forma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma defesa veemente do senador José Sarney (PMDB-AC), insinuando que ele ocuparia uma classe à parte da maioria da população brasileira (e, por isso mesmo, não merecesse condenações por crimes que viesse a cometer), aqui em Franca uma série de exemplos que temos acompanhado nas últimas semanas mostram que autoridades municipais se consideram acima dos reles francanos.

Não é que uma leitora Portal GCN flagrou – e fotografou, enviando a prova a esta redação – o carro do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) estacionado sobre a calçada da rua General Carneiro, no centro de Franca? Praticamente uma semana depois que outro carro da administração municipal foi visto também estacionado na calçada enquanto seu motorista almoçava e algumas semanas após o comandante da divisão de trânsito, Sérgio Buranelli, ser fotografado usando uma vaga de táxi para parar seu carro, também no centro. Foram três exemplos do que não se deve fazer e, pelo que se saiba, não houve qualquer providência contra os referidos infratores. Caso fossem motoristas comuns, certamente estariam multados e teriam os veículos guinchados como manda a lei. Neste momento, discutem-se muito as últimas providências tomadas para melhorar o trânsito francano. Uma delas, a redução do número de vagas de estacionamento no centro, vem dando o que falar, revoltando o cidadão francano.

Não adianta o prefeito afirmar que a culpa foi de seu motorista. Estivesse ele preocupado com as boas práticas que se esperam da autoridade maior do Poder Executivo do município, nunca permitiria que o servidor estacionasse da forma irregular. O prefeito deve dar o exemplo, assim como os demais servidores da Prefeitura. Nas imediações de onde o carro oficial parou há vários estacionamentos particulares que estão sendo procurados pelo cidadão comum em razão da restrição de que se estacione em diversos pontos do centro. O que não pode é um veículo oficial tomar metade da calçada destinada aos pedestres num ponto de grande movimentação. Afinal, por ser prefeito Alexandre Ferreira não está acima do cidadão comum. Ele foi eleito para conduzir os destinos administrativos da cidade e, por isso, está sujeito às leis assim como qualquer francano.

email opiniao@comerciodafranca.com.br