O promotor aposentado Adilson Tadeu Fernandes usou a tribuna da Câmara durante a sessão de ontem - dia da votação do projeto de lei que implanta em Franca o Código de Defesa dos Animais - para fazer denúncias contra o canil da cidade. Segundo o promotor, casos de maus-tratos contra animais são comuns no local, não há medicação correta, cães e gatos são mortos aleatoriamente. Denunciou ainda que não há controle da entrada e saída de animais do canil e narrou que, no dia 11 de maio, a carrocinha que presta serviço para a Prefeitura apreendeu seis garrotes na região do Jardim Tropical. Somente três foram apresentados na Vigilância Sanitária. O dono dos animais prestou queixa e o sumiço dos gados é investigado pela Polícia Civil. “A situação é muito grave considerando-se que temos um prefeito veterinário”, disse ele.
O depoimento foi feito minutos antes da votação em primeiro turno do projeto de autoria do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) que implanta em Franca o referido código. O promotor participou da elaboração. “A proposta não previa nada para cães e gatos. Eu que apresentei algumas emendas, mas sugestões importantes foram retiradas. O projeto apresentado é um faz-de-conta. Se aprovarem, estarão subestimando a capacidade das pessoas e de vocês mesmos”, disse ele aos vereadores.
Fernandes considera que o município é “omisso” em não alterar a administração do canil. “Por que tanta resistência? Temos provas de maus-tratos, o canil não é bem conduzido.” As acusações de maus tratos aos animais foram ignoradas pela Câmara. Por três vezes o presidente Jépy Pereira (PSDB) tentou cortar a palavra do promotor sob a alegação de que o tempo havia estourado. Nenhum vereador fez uma pergunta sequer. Ninguém quis saber detalhes.
O projeto foi aprovado sem as emendas obrigando a Prefeitura a controlar a entrada e saída de animais do canil, além de informar os casos em que a eutanásia é necessária. Para o promotor, os vereadores perderam grande oportunidade de marcar presença em um tema relevante. “Nós também sujamos as mãos se não tomarmos providências. Apenas eu questionei, mas sei que a pressão vinda do gabinete do prefeito foi forte. O prefeito chamou os vereadores lá duas vezes. O povo tem que tomar conhecimento destas coisas e não se esquecer nas próximas eleições.”