O pedreiro Alexandre Aparecido Bonfim, 34, morador do Parque Progresso, trava uma batalha na Justiça para provar sua inocência e não ser preso por um crime que não cometeu. Ele foi condenado na última segunda-feira a cinco anos de prisão pelo crime de receptação. Bonfim é acusado de ter participado de um esquema de desmanche em agosto de 2007 em Sumaré (SP). O problema é que o pedreiro nunca esteve na cidade que fica próxima a Campinas.
Na época, uma caminhonete F-1000, prata, furtada em Capivari (SP), foi encontrada pela guarda civil de Sumaré em uma chácara. No local, foram achados ainda dois VW Passat, uma Ford Pampa, além de peças de um Voyage branco. As investigações comprovaram que naquela propriedade funcionava um desmanche clandestino de carros furtados e roubados. Duas pessoas foram presas em flagrante, entre elas um adolescente de 17 anos e homem que portava uma CNH (Carteira Nacional de Habilitação) com os dados de Alexandre e sua foto 3/4.
“Mandei fazer a segunda via da minha carta de motorista na Ciretran (de Franca), em março de 2007. Foi quando os problemas começaram”, disse o pedreiro que só descobriu que outra pessoa se fazia passar por ele um ano depois. “Esse cara foi preso por receptação usando o meu nome, depois de dois anos financiou um carro (Chevrolet Astra GLS 1999) e também não pagou. Por último, tentou furtar um Gol em Orlândia, no ano passado. A polícia chegou e conseguiu recolher o documento falso, mas o cara fugiu”, disse o pedreiro que mora com a mulher e o filho de quatro anos em uma casa simples, na zona Sul.
Os policiais procuraram pelo acusado na casa do pedreiro seguindo os dados do Detran. “Bateram na minha porta e fiquei desesperado. Vendi meu carro para pagar advogado particular, mas parece que a Justiça não quer resolver minha situação. Já fui parado duas vezes em blitze da PM e eles disseram que eu tinha passagem na cadeia. É um constrangimento terrível.”
Recurso
Seu advogado, Acir de Matos Gomes, disse que entrou ontem com um recurso contra a sentença determinada pelo juiz a 1ª Vara Criminal de Sumaré. Em seu veredicto, o magistrado confirma que “há um erro na identificação do criminoso”, mas que não pode ignorar a sentença que pesa contra o réu.
“Tecnicamente o juiz está agindo conforme a lei determina, mas é preciso ter bom senso nessa situação. O Alexandre ainda corre o risco de ter expedido contra ele um mandado de prisão por causa desta condenação. Já imaginou ele ficar preso até que essa confusão seja resolvida?”, questionou o advogado.
Ainda na sentença, o juiz afirma que cabe ao Tribunal de Justiça analisar a modificação da identidade do réu.