Presente em praticamente todos os lares e estabelecimentos comerciais, o gás liquefeito de petróleo, o popular gás de cozinha, está desaparecendo dos depósitos de Franca, que enfrentam dificuldades para reabastecer seus estoques e já começam a perder clientes pela falta do produto. Além do risco de escassez, os proprietários se dizem temerosos com a possibilidade de um novo reajuste, que poderia elevar o preço médio de venda do botijão para R$ 45. Hoje, esse valor é de R$ 40, fruto de um reajuste feito em setembro, quando o preço era de R$ 35.
O sinal de alerta foi ligado na última sexta-feira, quando os depósitos e revendedores locais foram surpreendidos com a negativa de seus fornecedores, que afirmaram que o gás estava em falta. “Pedi na quinta-feira e até hoje não recebi nada. Meu fornecedor disse ainda que não vai vir porque eles simplesmente não estão conseguindo comprar”, afirmou Jair Alves Santos, proprietário do Depósito Finegás. “Precisamos nos virar com o que temos, mas a situação está ficando cada vez mais crítica”, disse.
O mesmo discurso é repetido em diversos revendedores e depósitos de Franca. “Nossa revendedora está fazendo racionamento para tentar evitar a completa escassez. Nós, por exemplo, pedimos mil botijões e recebemos 150, na sexta-feira. O produto está vindo com muita dificuldade e não temos expectativa de uma nova remessa”, relatou Ernane Azevedo, proprietário da Nacional Gás Franca. “O que ouvimos, por especulação, é que até quarta-feira a situação melhore um pouco. Mas não temos nenhuma posição oficial até o momento e o que sabemos é que estamos realmente precisando do produto.”
Manutenção
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Revendedores de Gás Liquefeito de Petróleo, Alexandre Borjaili, o problema de reabastecimento é nacional, fruto de uma manutenção preventiva e previamente agendada pela Petrobras na refinaria “Henrique Lage”, em São José dos Campos (SP). “Acreditamos que eles (da Petrobras) devem ter encontrado um problema mais grave nessa refinaria, mas, como só se preocupam com a exploração do pré-sal, não conseguem resolvê-lo”, afirmou. “Nós protocolamos hoje (ontem) no gabinete da presidente Dilma (Rousseff) os absurdos que estamos vivendo. Esse descaso com um produto de tamanha importância como o gás não pode continuar.”
De acordo com um gerente de uma revendedora de gás, que pediu para não ter sua identidade revelada, “esse cenário instável favorece a proliferação de estabelecimentos que comercializam gás clandestinamente, que não respeitam as leis de segurança e cobram mais barato pelo serviço”.