Um 12 de outubro cercado de incertezas. A Associação Atlética Francana vira mais uma página de sua história ao completar hoje 101 anos de fundação. Não há muito a comemorar. Para não passar totalmente em “branco”, a diretoria esmeraldina pediu para todas as igrejas mencionarem durante as missas a data de aniversário da agremiação.
Desde o descenso da Série A-2 em 2005, o time não consegue fazer uma boa campanha a fim de se aproximar da elite do futebol paulista. Na realidade, a situação é ainda pior. Na temporada passada, o “fantasma do rebaixamento” assombrou o clube durante todo o Estadual.
Para 2014, a dúvida prevalece em relação à formação do time. Mesmo com a antecipação do calendário por causa da Copa do Mundo no País, nos bastidores esmeraldinos a movimentação quase não existe. O presidente Fahim Youssef Issa Neto deixou claro que espera se reunir com a diretoria no final deste mês. Somente aí tratará do planejamento para a próxima temporada. Assim, a busca por um treinador e a montagem do elenco deve ocorrer somente em novembro. Sem recursos financeiros, a Veterana tentará mais uma vez parcerias com grandes times do cenário nacional e empresários para formatação de uma equipe.
Fora de campo, boatos ainda dão conta de que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) estaria interessado em colaborar de alguma forma com a agremiação. Uma alternativa aventada seria a gestão do departamento de futebol por alguém indicado pelo poder público. Até nomes - um radialista e um técnico de basquete - já circulam nos bastidores. Tanto o presidente Fahim Youssef Issa Neto quanto a assessoria da Prefeitura desmentem eventual interesse. “Não tem nada disso. Estou ouvindo a respeito do assunto há dias, só que não fui procurado por ninguém”, ressaltou Fahim.
Mas é a situação longe do dia a dia do futebol a que é considerada alarmante. O clube convive com um “turbilhão” de dívidas pendentes, desde ações trabalhistas, FGTS, INSS e IPTU. O valor total da dívida é de R$ 12,5 milhões. Este estado de penúria ameaça a sede social e recreativa do clube, localizada na rua Simão Caleiro. Não é difícil que a área venha a ser leiloada ainda no final deste ano. “Temos uma situação que tem que ser resolvida imediatamente, caso contrário o clube perderá o patrimônio no final do ano”, afirma o presidente.
Uma maneira apontada por Fahim Youssef Neto seria a desapropriação da área da Recreativa pela Prefeitura. “A Prefeitura assumir a sede central é o melhor para a Francana. Claro que se conseguíssemos um grupo de investidores que comprassem o local, seria melhor para o município, pois não oneraria o poder público. Em leilão, os valores envolvidos acabam sendo muitos pequenos”, disse Youssef. A área da sede esmeraldina está avaliada em R$ 20 milhões. O dirigente do clube disse que conversará com Alexandre Ferreira na próxima semana para encontrar solução para o caso.
Em meio a comemoração aos 101 anos, fica a esperança por parte dos dirigentes, torcedores e apaixonados pelo clube por um ano de 2014 mais promissor. Além de vitórias, o sonho é pela conquista do acesso ao Paulista da Série A-2.