08 de julho de 2026

Baderna e vandalismo


| Tempo de leitura: 2 min

As cenas de selvageria e vandalismo que voltaram a ocorrer no Rio de Janeiro e em São Paulo, anteontem, torna qualquer tipo de defesa que se faça dos grupos Black Blocs inútil. O que se viu foi uma noite de extrema violência que não se justifica por quaisquer reivindicações que se apresentem: o vandalismo vem tomando conta de qualquer manifestação séria sem que ao menos haja qualquer provocação, principalmente da polícia, que anteontem só acompanhou os protestos nas duas capitais. No final, um saldo triste, que acaba prejudicando grupos sérios realmente interessados em colocar seus interesses e anseios ao público, durante manifestações e passeatas pacíficas.

No Rio de Janeiro, o saldo da ação de vândalos infiltrados no protesto dos professores foi alto. Houve tentativa de invasão e incêndio da Câmara de Vereadores, destruição de 24 agências bancárias e depredação de prédios simbólicos como o Clube Militar e o Serrador, sede da empresa EBX, de Eike Batista, além dos Consulados dos EUA e de Angola. Uma loja da Nextel e uma agência da TAP foram completamente destruídas na avenida Rio Branco. Em toda a cidade do Rio, 27 ônibus foram atacados. Um deles foi incendiado na Rio Branco, no primeiro caso registrado na avenida desde a década de 1980. Segundo a Polícia Militar, 18 manifestantes foram detidos e um PM ficou ferido com uma pedrada.

Já em São Paulo, o resultado prático da baderna de segunda-feira foi a decisão do Secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella Vieira, autorizando a volta do uso de bala de borracha pela Polícia Militar em casos de vandalismo em manifestações. Na segunda-feira, policiais que faziam a segurança do prédio da Secretaria Estadual da Educação foram atacados com pedras, esferas de metal e coquetéis molotov pelos vândalos. O que esperamos é que, no caso de reação, não apareçam os defensores destes vândalos cuja ação não recebeu, pelo menos até a noite de ontem, qualquer censura por parte daqueles que avocam o direito de manifestação para as suas ações violentas e sem sentido.

Deve-se defender o direito à expressão e à livre manifestação para quem tem o que dizer, do que reclamar de cara limpa e com coragem para buscar soluções para seus problemas. Já os que, mascarados e sem qualquer direcionamento, vandalizam pelo simples prazer em destruir bens públicos ou privados. Este não é o caminho. No final das contas, pode-se prejudicar até as manifestações pacíficas e reivindicatórias. O medo já está patente naqueles que saem às ruas em defesa dos seus direitos. Grupos inteiros (familiares ou não) estão se retraindo diante desta violência desmedida e inviabilizando o mais emocionante e corajoso ato popular recente. Espera-se que, conforme o prometido, a polícia identifique, prenda e a Justiça puna de forma exemplar estes indivíduos que se comprazem em destruir e barbarizar, usando o anonimato das máscaras para fugir de suas responsabilidades. O Brasil, hoje, quer vê-los presos, julgados e condenados. Não merecemos conviver com estes grupos que pregam, defendem e usam a violência.

email opiniao@comerciodafranca.com.br