Não é de hoje que alertamos, aqui, para a baixa qualidade do ensino brasileiro, desde os primeiros anos do Ensino Fundamental, passando pelo Ensino Médio e chegando aos Cursos Superiores. Depois que, na semana passada, um ranking do Ensino Superior não contou com qualquer instituição brasileira entre as 200 melhores universidades do mundo (a USP, que sempre garantia sua classificação nesta lista, ficou de fora pela primeira vez), acompanhamos agora as médias do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) 2012 apontam para a qualidade baixa em todos os níveis da educação brasileira.
Cerca de 30% dos cursos avaliados no Enade 2012 apresentaram resultado insatisfatório, com notas 1 e 2 (de um teto de 5), segundo informou ontem o o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. O Enade é um teste do governo federal que serve para avaliar redes de ensino, públicas e privadas. A edição de 2012 avaliou 7.228 cursos de 1.646 instituições de ensino superior — participaram 536 mil estudantes concluintes, do penúltimo e último semestre de seus respectivos cursos.
A cada três anos, o Ministério da Educação (MEC) aplica o Enade para um mesmo conjunto de cursos. Ao todo, dez cursos de bacharelado (administração, ciências contábeis, ciências econômicas, comunicação social, design, direito, psicologia, relações internacionais, secretariado executivo e turismo) e seis que conferem diploma de tecnólogo (gestão comercial, gestão de recursos humanos, gestão financeira, logística, marketing e processos gerenciais) foram avaliados no Enade 2012.
Os cursos que tiraram nota 1 e 2 poderão ter seus vestibulares suspensos. São os casos dos cursos de ciências contábeis, da Uni-Facef, e de Design, da Unifran, que receberam nota 2. Já a graduação em relações internacionais, da Unesp de Franca, recebeu 1. São resultados que acabam causando estragos consideráveis às instituições envolvidas, mesmo que em outros cursos tenham tido notas satisfatórias. Nesse sentido, deve-se destacar que os cursos de jornalismo (Unifran), Direito (da Faculdade de Direito de Franca e da Unifran) e Psicologia (Uni-Facef) conseguiram conceito 4 e o de Direito da Unesp levou conceito 3, notas consideradas acima da média.
O Ministério da Educação destaca, porém, há casos em que existe boicote dos próprios alunos ao exame, derrubando a nota da instituição. Uma atitude que, convenhamos, não pode ser admitida. O Enade é um instrumento que vai permitir a melhora no curso testado e, acima de tudo, que se busquem melhorias no ensino, pontuadas pelas próprias avaliações. O que não se pode admitir é que o aluno, já no final do curso de graduação, se esforce para prejudicar e derrubar a nota através do Enade. A princípio, entende-se, no contexto global, é que o ensino superior vem sendo vítima da falta de estrutura e de qualidade dos primeiros anos escolares. E a correção disso tudo, voltamos a frisar, passa pela valorização dos professores do ensino básico, com melhores salários, capacitação e instrumentos para que atraiam a atenção dos alunos.