Começa com um incômodo à altura dos rins. Você pensa em coluna. Melhora a postura na cadeira. Vai à farmácia caseira e se automedica com aquele analgésico de sempre. O trabalho é mais importante, não há tempo a perder. Chega o fim de semana você relaxa, e abusa. Refrigerante, aquele; churrasco temperado com muito sal grosso, queijinho, salaminho, azeitona, azeite, condimentos. Cerveja. Se você gosta e não despreza seu refrigerante preferido, mistura com a loira e assim, convence-se de que excesso dum ou doutro, não causará problemas.
Superhomem a quem nada, ou ninguém incomoda, a dor indizível chega! Derruba, arrebenta, torna você um nada, finalmente consciente da fragilidade humana. Dizem mulheres que já pariram e que também enfrentaram cólica renal, que parto é nada.
Diz a medicina que essa é a pior de todas as dores. As outras são, pela ordem, segundo a revista Superintessante, edição de 31/03/2008, cólica biliar, lombargia aguda, neurite herpética, gota, hipertensão intracraniana, enxaquecas severas e nevralgia do trigêmeo (nervo do pescoço e do rosto); abscessos de dente, parto sem anestesia, infarto agudo do miocárdio. Verdade que varia de pessoa para pessoa e respectivas tolerâncias.
Pois bem. Volto às cólicas renais. A ciência fala em predisposição genética mas também diz que se você se cuida, passa sem. O problema é que a gente não imagina a quantidade de sódio, nitritos, oxalatos, cloretos e outros conservantes que ingere, e essas substâncias que dão sabor a alimentos e não permitem que estraguem, são os grandes vilões de nosso tempo. Seus cristais se acumulam no rim. Não se ingere água na quantidade que o organismo humano precisa. O resultado é que os cristais encorpam e se tornam o famigerado cálculo renal, a pedra,
As crises de tremenda dor surgem quando ela vai em direção à bexiga, via ureter. Ai, a cada milímetro, um berro. Não há conforto. Não há posição para ficar, não há a fazer até que o cálculo chegue à bexiga, pronto a ser expelido. O único conforto as medicações poderosíssimas que, passe de mágica, o livram das dores, mas tornam você um caco.
Um desses, em mim, parou no meio do caminho e represou a função do rim. Não teve jeito: cirurgia invasiva com laser, cateter colocado no ureter para garantir a cicatrização. A recuperação é difícil: medicamentos, repouso quase sem movimentos. Você entreva, se desespera.
Estou entregue à competência do dr. Joaquim Pereira Ribeiro, que tem acompanhado meu calvário. Agradeço-lhe a paciência, mesmo sabendo que não respeito integralmente suas ordem de dois copos d’água pela manhã, mais dois antes e depois do almoço; outros dois antes e depois do jantar coroados por mais dois, antes de dormir.
Com o aval dele na segunda-feira quero voltar ao batente correndo. Cama de hospital, apesar do cuidado de enfermeiros e enfermeiros coordenadores da Unimed que se antecipam a seus pensamentos — Nilza, Rosana, Katielly, Diogo, Juliana Pagoto, Aline dos Santos, Ana Cotian, Rosa Helena, Elisângela Nascimento, Rodrigo Silva — não é, definitivamente, férias, como tem quem diz. Aproveito também para agradecer incontáveis, que eu nem imaginava que se preocupavam comigo e que deixaram, via telefone, e-mail, redes sociais, , votos de força e saúde. Por último, grato ao Everton Lima, ao Sidnei Ribeiro — meu interino de páginas e colunas no Comércio e de quem me orgulho de ser amigo há décadas — e ao Leandro Vaz, pela dedicação em suprir minhas férias forçadas dos últimos dias.
Para os que me leem, reforço os conhecimentos que estão neste texto. Mudem hábitos alimentares, deixem para lá os refrigerantes e, sobretudo, façam checkups de saúde frequentes. Quem gosta de dor é masoquista.
Luiz Neto
Editor de Opinião - luizneto@comerciodafrranca.com.br