O Brasil vive, nas últimas décadas, uma crise de honestidade que, no fim, causa danos irreversíveis no erário público, principalmente, sem que nada se faça para corrigir esta situação. Falhas de caráter são desconsideradas e a corrupção passa ao largo da indignação que deveria pautar cada ato de brasileiro, dia-a-dia, permanentemente. Somente desta forma é que se conseguiria colocar o Brasil nos eixos, com a eleição de administradores e legisladores sérios, com a única intenção de trabalhar em benefício daqueles que os elegeram.
Hoje não acontece isso. No Brasil, fraudar e roubar os cofres públicos é considerado normal. Na Itália, o magnata das comunicações e ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi foi julgado por um tribunal de primeira instância a quatro anos de cadeia e se a sentença for confirmada em cortes superiores, ele vai para a cadeia e perderá o mandato de senador vitalício. Ou seja, lá a lei vale para todos. Aqui no Brasil, além de uma Justiça lenta, corruptos e corruptores flagrados no escândalo do Mensalão contam com a memória curta do eleitor. Além de protelar uma prisão, a defesa dos condenados lançou mão de instrumentos jurídicos que não caberiam num processo sério e pode conseguir livrar os grandes beneficiados pelo esquema da cadeia. E eles ainda -- como os deputados João Paulo Cunha, José Genoino e Valdemar Costa Neto -- podem manter o mandato parlamentar.
Por muito menos que isso vários candidatos a cargos eletivos nos Estados Unidos tiveram que renunciar às suas pretensões. Lá, um simples escândalo sexual basta para acabar com qualquer chance de vitória. Aqui, acontece o contrário. Muitas pessoas despreparadas se valem de campanhas eleitorais para conseguirem vagas nos Legislativos brasileiros, muitas vezes arrastando consigo uma série de elementos suspeitos e que se aproveitam do cargo para beneficiar os próprios bolsos.
A honestidade deixou de ser artigo essencial para a vida diária do País e tornou-se um luxo que poucos conseguem ostentar. Onde mais, se não no Brasil, advogados ligados a partidos políticos conseguem vagas na Corte Suprema e usam do cargo para abrandar penalidades contra membros destes mesmos partidos? Pois os ministros Ricardo Lewandowski e Dias Tóffoli conseguiram entrar no STF (Supremo Tribunal Federal) sem maiores obstáculos.
Onde mais políticos sabidamente corruptos se escondem atrás de mandatos parlamentares e conseguem protelar, por anos a fio, julgamentos e sentenças com a apresentação de recursos e atos legais? Só mesmo aqui. Por isso, é necessário que o brasileiro, hoje, se arvore de defensor da ética e da legalidade, da moralidade e da honestidade, antes que seja tarde demais para todos nós. O Brasil não foi descoberto há mais de 500 anos para seguir um caminho que não seja brilhante e glorioso. Por causa destes problemas que assolam nossos políticos, porém, continuamos marcando o passo quando poderíamos ser uma das Nações mais poderosas do planeta. Por isso, se não agirmos neste momento, no futuro poderá ser muito tarde e iremos inapelavelmente para o abismo.
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