Um menino de cinco anos foi vítima de negligência na Rede Municipal de Saúde na última segunda-feira. Os pais, Leila Cristina Ferreira e Júlio César de Almeida, afirmam que o garoto recebeu soro vencido ao ser levado para o Pronto-socorro Infantil com febre e vômitos. O erro foi percebido enquanto o menino recebia o primeiro frasco do líquido graças a uma “mania” do pai de conferir datas.
Ao perceber que o soro poderia ser utilizado somente até junho deste ano, Júlio César reclamou e fotografou o frasco com a data vencida. Segundo a mãe, a enfermeira trocou o medicamento e tentou acalmá-los, afirmando que não tinha problema em usá-lo até seis meses depois do vencimento. “Meu esposo tem mania de olhar data. Ele olha tudo, aí olhou a data do soro e tinha vencido em junho (...) Só que nem eles (a enfermeira e médicos do PS) ficaram sossegados, porque começaram a medir a pressão dele (do menino), colocar aparelho de medir batimento cardíaco e até acordaram meu filho que entrou em sono profundo”, disse Leila.
Os pais do menino se preocuparam se os remédios aplicados junto do soro também não estavam vencidos. “O soro a gente viu que estava vencido, mas as duas injeções, de plasil e dipirona, não. Então a preocupação não foi só do soro”, afirmou a mãe.
Confusão
Ao aplicar o soro, as enfermeiras pediram que apenas uma pessoa ficasse com o garoto. O pai ficou e notou o vencimento. Com o fato, a mãe entrou no local para acompanhar o que estava acontecendo, mas, segundo ela, um médico que estava lá “apenas de passagem e até sem jaleco” a mandou sair e gerou uma grande confusão que envolveu até policiais. “Ele mandou eu sair, mas meu marido disse que eu não iria, porque íamos os dois ficar do lado do nosso filho. Aí foram três policiais tirar meu marido. Ele (o médico) estava de chapéu, parecia que tinha chegado de um rancho, e ficou provocando. O que ele queria era que a gente perdesse a razão e os nossos direitos, partindo para cima dele... A gente que tinha que chamar a polícia para eles.”
Dúvida
Febre e vômitos motivaram a ida do garoto ao PS. O médico que o atendeu diagnosticou uma desidratação e prescreveu o soro. O filho de Júlio e Leila recebeu parte do soro vencido, com dois remédios, e depois outro não vencido por inteiro.
A mãe disse que, ao chegar em casa, o filho continuou com os sintomas, principalmente muita febre. A dúvida dela é se o soro contribuiu para agravar o quadro de saúde da criança. “Meu filho voltou ruim para casa. Dei remédio de febre porque estava muito alta, quase 40 graus, mas ele vomitou tudo. Levei ele para o chuveiro e ficamos cuidando para melhorar e não ter que levar lá (no PS infantil) de novo.” Hoje o garoto está bem.
O outro lado
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou o ocorrido e afirma que tomou as medidas necessárias assim que verificou o fato. “A criança ficou em observação com acompanhamento médico e a família recebeu toda a orientação necessária. [...] a sonolência que teria sido apresentada pelo paciente foi causada pela aplicação do medicamento plasil.”
A nota informa também que, após checar todo o estoque da Secretaria, não foi encontrado nenhum outro medicamento com data de validade vencida e que o soro aplicado era o único vencido no lote.