Com o alto custo de produção e a chegada de outras culturas, a criação de bovinos produtores de leite perdeu espaço drasticamente na região de Franca nos últimos 30 anos.
Dados do IEA (Instituto de Economia Agrícola) apontam que o número de cabeças neste setor despencou de 177.957 em 1983 para apenas 26.392 em 2012 no EDR (Escritório de Desenvolvimento Rural) de Franca, representando uma queda de 86%.
No mesmo período de tempo, a produção de leite também caiu. Em 1983, foram produzidos 97.328 litros por ano, segundo o IEA. No ano passado, esse número caiu para 67.429, o que representa uma queda de aproximadamente 30%.
O diretor técnico da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) de Franca, Pedro César Avelar, explica que vários fatores influenciaram a queda no número de bovinos leiteiros em Franca e região. “Com a chegada da cultura da cana-de-açúcar e a valorização do preço do café, os grandes produtores de rebanho leiteiro foram investindo nessas áreas. Hoje, o leite está mais na mão dos pequenos produtores. Além disso, é um produto caro de se produzir, e mão de obra está escassa. Para se tornar um negócio viável, é preciso produzir muito leite”, explicou.
Segundo Avelar, a maioria do leite consumido pela população de Franca e região vem de Goiás.
Já o vice-presidente da Coonai (Cooperativa Nacional Agroindustrial), Marcelo Barbosa Avelar, explica por que a queda na produção não foi tão brusca quanto a do número de rebanho leiteiro. “Nos últimos anos, houve uma grande modernização na produção láctea do Brasil, onde observa-se muitas vezes uma redução no número de animais, mas um incremento na produção. Isso é possível em decorrência do aumento da produtividade dos animais através de técnicas de melhoramento genético, inseminação artificial e transferência de embriões”, disse.
Para incrementar a produção de leite, a Coonai lança mão de programas de melhoramento genético, qualificação e treinamento de mão de obra e de modernização nas fazendas para que elas elevem seus volumes de produção e se viabilizem. “Com volumes baixos, a produção de leite não se torna atrativa.”
Mão de obra
Um dos grandes produtores de leite na região é José Carlos Raiz. Na sua fazenda Recanto da Lagoa, em Cristais Paulista, ele conta com 130 vacas, sendo que aproximadamente 100 estão em fase de lactação (produção de leite). A sua produção diária chega a 1.800 litros.
“A produção leiteira na região diminuiu devido ao seu alto custo, e aumentou a de café e cana. O grande problema do setor de leite hoje é mão de obra, porque é um trabalho cativo, todo dia, não tem domingo, não tem feriado, e o pessoal não quer trabalhar assim”, disse Raiz.
Ao contrário do leiteiro, rebanho de corte aumenta
Enquanto o número de cabeças leiteiras despenca no Escritório de Desenvolvimento Rural de Franca, o de gado para corte aumentou 31% em quase 30 anos. De acordo com o banco de dados do IEA (Instituto de Economia Agrícola), a quantidade subiu de 70.809 para 93.450, em 2012.
O vice-presidente do Coonai (Cooperativa Nacional Agro Industrial), Marcelo Barbosa Avelar, acredita que o acréscimo está ligado a uma maior escala de produção para que a atividade seja mais rentável. “As novas técnicas de produção em confinamento geram custos fixos mais elevados, que trazem a necessidade de um aumento do número de cabeças alojadas”, diz. Já o diretor técnico da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) de Franca, Pedro César Avelar, acrescenta que produtores da região que desistem do setor de leite têm se transferido para o de corte.