08 de julho de 2026

Os números do PNAD


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Os dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios-PNAD, divulgados pelo IBGE na semana passada, trouxeram algum alento para os brasileiros, tão maltratados ultimamente com notícias ruins sobre a economia e suas perspectivas. Obviamente, não alcançamos o paraíso, ainda há espinhos em meio às flores.

Comecemos pelo emprego. Em 2012, mesmo com crescimento medíocre do PIB (0,9%), o mercado de trabalho mostrou certo dinamismo ao gerar 1,4 milhão de postos de trabalho (formais e informais). Esses números fizeram com que a taxa de desemprego diminuísse 0,6%m caindo de 6,7% em 2011 para 6,1% em 2012. A má notícia é que o processo de crescimento da renda foi menos intenso entre os mais pobres. O IBGE, por seus técnicos, enfatizou que “desta vez (2012) houve alta no rendimento do topo da pirâmide”.

A concentração da renda ficou menor em 2012. Medida pelo Coeficiente de Gini (quanto mais perto da unidade, maior a concentração), ficou em 0,498, contra 0,501 em 2011, considerado o rendimento do trabalho.

O rendimento mensal do trabalho das pessoas com 15 anos ou mais de idade em 2012 foi estimado em R$ 1507,00, revelando uma elevação de 5,8% em comparação com 2011. A desigualdade, assinala a PNAD, é ainda gritante: o rendimento médio real dos 10% mais pobres ficou em R$ 215,00 (alta de 6,4% com referência a 2011) e para os 1% mais ricos o valor foi de R$ 18.889,00 (alta de 10,8% sobre 2011). Só 87 vezes maior! A pesquisa estima também que houve crescimento real nos outros dois tipos de rendimentos, o rendimento real de todas as fontes de renda e o rendimento real domiciliar.

O País cresce, se desenvolve e vai eliminando as desigualdades, ainda que devagar. No emprego, na renda, na diminuição da concentração. A renda aumenta, mas aumenta mais para os que estão no topo da pirâmide. A taxa de analfabetismo parou de cair e 42,9% dos domicílios do País continuam sem rede de esgoto. Como se vê, ainda há muito o que fazer.

Vicente P. Oliveira
Economista/FEA USP