09 de julho de 2026

Moradores de S. J. da Bela Vista sofrem sem água metade do dia


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A falta d’ água impede que a dona de casa Eliana Ribeiro de Faria deixe a pia sem louça suja e a roupa lavada. Segundo a Prefeitura, falta de investimentos ao longo dos anos é a culpada pelo problema

Água se tornou quase um artigo de luxo para os moradores de São José da Bela Vista. Isso porque eles passam quase metade do dia sem nenhuma gota nas torneiras. A reclamação é antiga e o problema diário. Enquanto o poder público não normaliza o abastecimento, a população sofre. Alguns moradores, apesar de revoltados com a situação, dizem que já se habituaram e se organizaram para utilizar água “apenas quando tem”. Outros armazenam em recipientes e muitos dizem que o jeito é deixar os serviços domésticos acumulados.

A dona de casa Eliana Ribeiro de Faria, 38, diz que louça na pia, roupas sujas dentro de baldes e recipientes armazenando água compõem o cenário comum da casa em que vive com o marido e quatro crianças, no Centro da cidade. “Às 11 horas não tem mais água na torneira. A louça do almoço fica para lavar na janta. Aí você tem que fazer o jantar, lavar a louça e a roupa mesmo tempo. E não dá pra fazer tudo. Ainda fica um pouco para fazer no outro dia. E vai acumulando”, disse.

Em outro bairro, no Alto da Juventude, a professora de inglês Geovana da Silva Oliveira também sofre com o racionamento diário. “Eu chego às 12h20 da escola e não tenho água. Preciso esperar até as 16 horas para fazer o serviço”, disse.

Dezenas de moradores entrevistados pelo Comércio esta semana em São José foram unânimes em dizer que o abastecimento de água é um problema na cidade. “Além de faltar, quando a água vem é suja demais”, disse a dona de casa Alessandra Oliveira, 24. Ela conta que para lavar as roupas, muitas vezes, é preciso colocar um pano na torneira para filtrar a sujeira. “Roupa branca fica amarela, porque a água é lamentável. É só barro. Não dá nem para usar máquina”, reclamou.

Abastecimento
A Prefeitura admitiu que a interrupção no fornecimento de água acontece diariamente em dois períodos - das 11 às 16 horas e das 22 às 4h30 - porque a capacidade de abastecimento é limitada. Para o engenheiro químico responsável pelo Departamento de Água, Caio César Natali, o crescimento da cidade, aliado à falta de investimentos para manutenção da ETA (Estação de Tratamento de Água) ao longo dos anos, prejudica o abastecimento.

Para solucionar o problema, a Prefeitura informou que conseguiu junto à Funasa (Fundação Nacional de Saúde) recursos na ordem de R$ 1 milhão para a construção de uma nova ETA. O município aguarda vistoria para poder iniciar o processo licitatório.

A administração informou que uma estação mais compacta, moderna e automatizada substituirá a atual em que “os registros são velhos, há trincas e vazamentos, o que causa um grande desperdício”.

Enquanto a nova ETA não sai do papel, a cidade investe R$ 200 mil na manutenção e troca de filtros da estação.

Sem controle
A Prefeitura de São José da Bela Vista não consegue mensurar o consumo de água de cada imóvel da cidade separadamente porque não existem hidrômetros. “Moro aqui há mais de 50 anos. Nenhum prefeito quis colocar o relógio [hidrômetro]. Preferiram ficar sem a briga política”, disse o mecânico aposentado José Carlos Pereira Silva, 66.

Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, a tarifa mensal de água é de pouco mais de R$ 13. Mesmo com o valor baixo, muitos moradores deixam de pagar. “O valor recebido com as tarifas de água não representa nem 20% dos custos que a Prefeitura tem para fazer o abastecimento”, informou.

Após a construção da nova ETA, a Prefeitura estuda instalar hidrômetros em todos os imóveis onde existem ligações de água.