O governo divulgou ontem uma série de aspectos positivos levantados pela Pnad 2012 (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios 2012), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apesar do crescimento da taxa de analfabetos no País, que passou de 8,6% (12,9 milhões de pessoas) para 8,7% (13,2 milhões de pessoas) entre 2011 e 2012, o que não ocorria há 10 anos, o governo se sentiu em clima de comemoração. Celebrou outros números que, sem estatísticas realistas que mostrem a outra face da moeda, tornam extremamente difícil uma comparação. Algarismos sem análise nada significam neste caso onde quantidade nada tem a ver com qualidade.
A pesquisa mostra que houve crescimento do número de pessoas com nível fundamental incompleto ou equivalente, que aumentou de 31,5% para 33,5%, e que compreende a maioria da população brasileira. A proporção de pessoas com mais de 25 anos sem instrução e com menos de um ano de estudo caiu de 15,1% para 11,9%. O número de pessoas com nível superior completo subiu de 11,4% para 12%. Foram 14,2 milhões de pessoas concluindo faculdade em 2012.
Além disso, a taxa de escolarização das crianças e adolescentes de 6 a 14 anos de idade ficou estável, chegando a 98,2% no ano passado e em 2011. Entre os jovens de 15 a 17 anos, houve aumento da taxa, que passou de 83,7% para 84,2%. A média nacional de pessoas de 18 a 24 anos escolarizadas ficou em 29,4%.
Deve-se, porém, antes de aplaudir os quase 100% de crianças de 6 a 14 anos na escola, refletir sobre a qualidade do ensino no País. Neste caso, a quantidade não supre a qualidade exigida dos estudantes, sendo que a mídia brasileira já mostrou, em diversas reportagens, que um grande número de estudantes completa o ensino fundamental com enorme defasagem em relação ao que deveria ter aprendido. Há, entre eles, um contingente considerável de analfabetos funcionais que não conseguem compreender o que leem ou então desenvolver um raciocínio por escrito sobre um texto. São as mazelas de uma educação precária, deficiente, desmotivada.
O que se espera, diante dos números divulgados ontem, é que as autoridades responsáveis pela área do ensino e da educação, se unam em busca da excelência desde os primeiros anos do ensino. Não se deve eleger apenas um nível de governo para as cobranças. É necessário que os governos federal, estaduais e municipais tentem encontrar formas mais atraentes de ensinar, num mudo que muda rapidamente e precisa encontrar na escola elementos condizentes com a velocidade exigida de adultos na vida que integram, especialmente como cidadãos e profissionais. Somente se tal ocorrer é que poderemos todos comemorar uma vitória diante da ignorância que, de forma preocupante, ainda é o maior empecilho ao nosso verdadeiro desenvolvimento. Por isso, deve-se ressaltar que passa da hora de se arregaçarem mangas para atacar este problema com a seriedade que merecem os brasileiros. Sem picuinhas político-partidárias e sem outro interesse que não seja o do crescimento da nação.