Uma quadrilha de assaltantes explodiu uma agência bancária do distrito de Estreito, perto de Pedregulho, na madrugada de ontem. Para invadir o condomínio fechado e ocupado em sua maioria por funcionários da usina hidrelétrica de Furnas, os bandidos renderam o vigia na guarita e depois fugiram a pé por uma mata, às margens do Rio Grande. Para realizarem o crime, segundo a polícia, eles contaram com a colaboração de um morador da cidade.
Parte do explosivo plástico (TNT) utilizado não detonou e foi necessária a presença de uma equipe do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) para retirá-lo. Esta é a segunda vez que a agência é atacada por bandidos neste ano. Em toda a região, no mesmo período, foram realizados, incluindo este, dez atentados contra agências bancárias. Até a noite de ontem, cinco homens suspeitos de terem participação neste último assalto foram detidos pela polícia, outros 7 permanecem foragidos. O bando seria de Ribeirão Preto, segundo a polícia.
A ocorrência teve início por volta das 2h40 quando populares acionaram a Polícia Militar após ouvirem uma forte explosão. Ela destruiu completamente a única agência do banco Santander do distrito, distante 44 quilômetros de Franca. Plástico, vidro quebrado e muito dinheiro ficaram espalhados por todos os lados.
Um vigia que estava na guarita durante o roubo e pediu anonimato por medo de ser identificado pelos marginais, acabou rendido. Segundo ele, os bandidos aparentavam estar acostumados com esse tipo de crime e portavam armas de vários calibres.
Durante o tempo em que ficou sob a mira dos assaltantes, um deles chegou a dizer que terminariam o “serviço” rapidamente. Segundo o soldado PM Ivo, os bandidos levaram exatos 17 minutos para explodir o caixa e levar três gavetas cheias de dinheiro, totalizando R$ 34 mil.
Perseguição e captura
Em uma ação conjunta que envolveu cerca de 30 homens das polícias militar, civil e ambiental, cinco suspeitos foram presos após cerco policial em toda a região. Guaraci Aparecido Dias Júnior, 26, vendedor autônomo de Ribeirão Preto, e Cléber Padilha Ferrari, 24, morador da Vila Primavera, em Estreito, foram encontrados dirigindo um Citröen Xsara Picasso, na estrada vicinal Manoel Carrijo. O primeiro negou envolvimento com o assalto. Já o segundo confessou que receberia R$ 2 mil do bando para informar quando o carro forte de transporte de dinheiro recarregaria os caixas eletrônicos da agência.
Outros dois veículos, uma Chevrolet Montana branca e um Fiat Palio Weekend, ambos com queixa de furto e placas de Ribeirão Preto, foram encontrados próximo a uma mata fechada que cerca a usina. Durante a tentativa de fuga, foram encontrados um revólver calibre 38 com queixa de furto em São Joaquim da Barra e um colete a prova de balas.
No final da tarde ontem, outros três suspeitos de integrarem a quadrilha foram presos. Eles estavam todos sujos de barro e aguardavam um ônibus com destino a Ribeirão Preto, na rodoviária de Pedregulho. Como tinham as mesmas descrições passadas pelo vigia rendido e portavam R$ 7,4 mil em dinheiro, foram presos em flagrante. Suas identificações não foram passadas pelas autoridades.
Investigação
O delegado Fábio José Branquinho, chefe da Polícia Civil de Pedregulho, participou da caçada aos bandidos iniciada após a comunicação da explosão da agência. Ele confirmou trabalhar com a hipótese de que a quadrilha tenha 12 elementos e os fugitivos tenham embrenhado a mata, logo após o roubo, na tentativa de evitar uma perseguição na rodovia. Depois, acredita o policial, eles seriam resgatados por Cléber e Guaraci e dividiriam o ganho. A prisão da dupla citada atrapalhou os planos. Os outros elementos ainda estão sendo procurados.
O flagrante na delegacia de Pedregulho, no final da tarde de ontem, foi elaborado pelo delegado João Paulo de Oliveira Marques, chefe da delegacia de Ituverava.