É impressionante a maré que o Brasil vive. A CGU (Controladoria Geral da União), destituiu do serviço público a ex-chefe do gabinete regional da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, motivada por irregularidades como recebimento de propina e improbidade administrativa. No final de 2012, além de Rosemary, a Polícia Federal desvendou esquema de venda de pareceres e tráfico de influência no governo. O esquema envolvia a ANA (Agência Nacional de Águas), a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e a AGU (Advocacia Geral da União). Há o caso Siemens, em que o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) vazou informações que comprometeriam o governador Alckmin e o ex-governador Serra.
Quando eu era do PT, divergíamos do PSDB, mas nunca julgamos ninguém desonesto. Agora, o Estadão,descobriu e publicou que o presidente do CADE trabalhou para deputado que denunciou irregularidades, e omitiu isso de seu currículo. Coincidentemente, suspeitas de formação de cartel, superfaturamento e pagamento de propina envolvem os contratos do Metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos do Estado de São Paulo). Os demais contratos, inclusive com o governo federal, não vazaram... Ao menos, o governador de São Paulo nomeou comissão externa para analisar o caso. Há mais um desviozinho: o do R$ 400 milhões do Ministério do Trabalho, nos últimos cinco anos, de convênios que deveriam reverter em benefício de trabalhadores.
Outro ministério a frequentar a imprensa foi o da Agricultura. Seu ministro, Antônio Andrade (PMDB), contratou por R$ 5,5 milhões de reais, sem licitação, concurso público. E, o pior: a Polícia Federal deflagrou operação que investiga desvio de recursos do Fome Zero, destinado a crianças pobres. Até agora, 58 pessoas foram indiciadas...
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista IPNPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)