08 de julho de 2026

Campo esquecido


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Enquanto a indústria arca com o peso da política tributária do governo brasileiro, freando os investimentos no setor e prejudicando toda a cadeia produtiva, a situação da agricultura também não é diferente. A falta de incentivo, aliada à sazonalidade e ao desperdício que reduz o volume produzido entre o campo e o consumidor final, tem causado perdas significativas. Mesmo assim, o governo ainda espera uma safra recorde entre 2013 e 2014, já que o pequeno crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) nos últimos meses tem sido sustentado, de forma significativa, pelo agronegócio.

Há anos alertas são feitos: o setor não pode depender apenas de fatores climáticos para que tenha bom desempenho. Necessita também de uma política clara de preços e estocagem, o que nos últimos tempos tem deixado a desejar. A produção de alimentos está em baixa, o mesmo ocorrendo com a produção de milho e café. Somente a soja, que encontra um nicho bastante promissor em países da África e na China, segue navegando em águas (mais ou menos) tranquilas. Poucos produtos, como soja e pecuária, conseguem se equilibrar enquanto outros amargam prejuízos. Por isso, há tantas lavouras substituídas por culturas mais promissoras.

De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgado na última sexta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego, somente no mês de agosto o cultivo de café foi responsável pelo fechamento de 15.554 postos de trabalho. Os Estados mais atingidos foram Minas Gerais (-11.816) e São Paulo (-2.553). Outra atividade que apresentou demissões foi a de produção de sementes certificadas, com o fechamento de 1.668 pontos, dos quais 1.542 apenas em Goiás. Somente no Estado de São Paulo mais de 2,5 mil trabalhadores ligados à cafeicultura ficaram desempregados. Em Minas, cujos reflexos também são sentidos por aqui, foram quase 12 mil os que perderam seus empregos. São números consideráveis, uma vez que até cerca de 50 anos atrás a produção de café brasileira sustentava a economia do País e, mais do que isso, destinava a maior parte do que colhia à exportação. Aliás, era o principal item de exportação do País.

A cafeicultura, bastante disseminada em toda a nossa região, vem sofrendo golpes cada vez mais fortes, levando uma série de produtores a trocarem seus pés de café pelo cultivo da cana, em razão da demanda em alta e dos preços bem mais atrativos. Para se ter uma idéia, há cerca de um ano a saca de café de 60 quilos estava sendo comercializada entre R$ 450 e R$ 500, de acordo com os indicadores da Cocapec e da BMF-Bovespa, publicados diariamente pelo Comércio. Hoje, não consegue chegar a R$ 300. Para quem tem que cobrir seus custos crescentes (os preços dos insumos e da mão de obra sobem gradativamente), a situação atual preocupa muito. Caso o governo ainda não se sensibilize com estes números negativos, estaremos fadados a ver uma derrocada da produção do que já foi chamado ‘ouro verde’ em SP e Minas. O produto que já sustentou a economia brasileira hoje não paga nem os custos de seu produtor.

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