Éfeso, Esmirna, Pérgamo e Tiatira
‘Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida’ (Ap 2:10b)
Vejamos agora a situação da igreja em Éfeso de outro ponto de vista, conforme registra Apocalipse. Esse livro registra como o Senhor enviou o Seu anjo para falar a João, notificando-o para que escrevesse em livro o que viu e enviasse às sete igrejas da Ásia (Ap 1:1-2, 4, 11). Na Ásia não havia apenas sete igrejas, porém essas sete têm significado muito especial e representam a história da igreja. A primeira delas é a igreja em Éfeso (2:1-7). O nome Éfeso significa desejável, prefigurando profeticamente o período da igreja primitiva.
A partir do segundo século, o período em que a igreja sofreu grandes perseguições do Império Romano - e muitos foram martirizados -, é representado pela igreja em Esmirna (2:8-11). O termo em grego significa mirra, que prefigura sofrimento. Contudo, quanto mais cristãos eram perseguidos e mortos, mais cristãos surgiam. Por duzentos anos registraram-se dez grandes matanças, mas a vida de ressurreição vence a morte: quanto mais a procuram matar, mais ela se propaga (cf. At 2:24; Ap 1:17b-18). Louvado seja o Senhor!
A terceira igreja é Pérgamo, que quer dizer união (casamento) ou cidadela, fortaleza (2:12-17). A igreja em Pérgamo prefigura a união da igreja com o mundo e tornou-se uma cidadela, uma fortaleza. Por volta de 313 d.C., o imperador Constantino acolheu todos os cristãos, tornando o cristianismo a religião oficial de Roma, incentivando com recompensas materiais os cidadãos romanos a se converterem a Cristo. Isso resultou em uma grande quantidade de pessoas que diziam ter se tornado cristãs, o que trouxe grande confusão para a igreja. Esmirna foi o período em que a igreja foi oprimida, mas, depois disso, Satanás mudou a tática: em vez de perseguir a igreja, ele a misturou com o mundo e tornou-a uma fortaleza. Em Esmirna todos eram verdadeiros cristãos, dispostos a dar a vida como mártires pelo Senhor; Pérgamo, porém, teve uma mistura e muitos que não tiveram a experiência do novo nascimento foram introduzidos na igreja. Naquela época, havia poucos que realmente eram salvos, mas muitos eram batizados; assim, a igreja encheu-se de incrédulos.
Essa situação perdurou cerca de dois séculos. No século quinto, o sistema papal foi se desenvolvendo, cuja autoridade chegou a ser maior que a dos imperadores. Com o estabelecimento do sistema papal, a igreja entrou na situação prefigurada pela igreja em Tiatira, ou seja, a de degradação. O nome Tiatira significa sacrifício contínuo, ou sacrifício aromático, pois nesse período os ídolos foram introduzidos na igreja (2:18-29).
Recapitulando, depois de Éfeso, a igreja continuou a invocar o nome do Senhor e a ler-orar a palavra de Deus, pois Esmirna ainda guardava a palavra e o nome do Senhor. Quando invocamos o nome do Senhor e oramos-lemos a Palavra estamos no Espírito e Ele nos dá vida. Mesmo que a igreja tenha passado por muito sofrimento por mais de dois séculos, o crescimento de vida em Esmirna foi constante, e o Senhor lhe prometeu a coroa da vida.
Em Tiatira também havia um nome, mas não o do Senhor, e, sim, de Jezabel, representada pela mulher que escondeu fermento em três medidas de farinha (Mt 13:33). Fermento, na Bíblia, prefigura ensinamento que introduz degradação. Três medidas de farinha representam a palavra pura de Deus, portanto, a palavra foi dada com ensinamentos de degradação e até demoníacos. Jezabel era a esposa de Acabe, rei de Israel, que a trouxe da terra dos sidônios, da terra dos gentios. Jezabel seduziu o povo de Israel a adorar a imagem de Baal, o deus pagão (1 Rs 16:29-33). Desse modo a igreja prefigurada por Tiatira não tem a palavra pura do Senhor, e, sim, os ensinamentos de Jezabel. Que situação lamentável!
Contudo, o plano do Senhor jamais pode ser frustrado. Como veremos no próximo capítulo, Ele iniciou a Sua restauração. Aleluia!
Ponto-chave: Ter a condição de merecer a coroa da vida
Pergunta: Qual a diferença entre a estratégia usada por Satanás na igreja na época de Esmirna e Pérgamo?
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