A reconstrução do Brasil passa por um pacto nacional no sentido de abandonarmos definitivamente os excessos ideológicos da esquerda e da direita, dos conservadores mal-intencionados — aqueles que só querem manter privilégios parasitários, sem pensar no país —, e dos progressistas desfocados, que não têm os pés no chão.
Só podemos nos colocar de acordo com suas ideias enquanto forem boas para o país, não para a classe dominante parasitária que se mancomuna como camaleão com qualquer linha de pensamento, esquerda se unindo à direita, direita se unindo à esquerda, conservadores com progressistas etc, desde que seus privilégios não sejam afetados.
Esquerdistas aloprados são nefastos para o Brasil, mas, historicamente, os piores são os conservadores parasitas.
O que querem esses, conservar? Modernidade, instrução do povo, melhoria dos transportes e saúde, o progresso do Estado? Nada disso querem.
Continuamos com 13 milhões de analfabetos, metade das casas sem esgoto, milhões de analfabetos funcionais, centenas de cidades sem médicos, gente morrendo nas filas de hospitais, transporte público indecente.
Querem apenas conservar privilégios. Porisso mesmo, o Brasil continuará país com tudo por fazer, a começar por educação de qualidade, dar fim à política desonesta, eliminar a miserabilidade etc.
O autor Manoel Bomfim (A América Latina: males de origem), já em 1903, respondia: ‘(O Brasil) é uma série de crimes, iniquidades, violações de direitos, resistências sistemáticas ao progresso. Só se é justamente a decadência, a resignação social e tudo mais que, prendendo-nos ao passado, se opõe obstinadamente à vida e ao progresso, que não é mais que a perda incessante de hábitos, a luta contra os costumes estabelecidos’.
Luiz Flávio Gomes
Jurista