08 de julho de 2026

Mensalão e impunidade


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Depois de anos de suspense e meses de julgamento, na próxima quarta-feira o STF (Supremo Tribunal Federal) poderá atirar um balde de água gelada nas esperanças da população brasileira. Na sessão, o ministro Celso de Mello, o membro mais antigo da suprema corte brasileira, deverá decidir se o tribunal aceitará ou não os chamados embargos infringentes. Caso se decida pela aceitação, o decano da corte estará permitindo que 12 dos réus do caso Mensalão (entre eles o ex-ministro José Dirceu e os deputados João Paulo Cunha e José Genoino, entre outros) sejam novamente julgados. Se isso acontecer, além da protelação de um veredicto final, o Supremo estará concedendo oportunidade para que os já condenados se livrem da pena imposta por formação de quadrilha (e a atual composição do tribunal permite projetar essa situação) e da consequente pena de prisão. Continuarão livres, depois de protagonizarem o maior escândalo de corrupção dos últimos anos.

Celso de Mello, que já havia se posicionado a favor dos embargos infringentes, sinaliza pela manutenção de sua posição. Com isso, os meses e meses de julgamento e de apreciação de recursos não terão servido para nada. Além disso, o STF volta a discutir tudo o que já foi discutido, com grandes chances de livrar expressiva parte dos notórios mensaleiros da punição merecida. E, com isso, a população brasileira volta a assistir, estarrecida, mais um episódio em que a Justiça premia o criminoso e revolta as vítimas -- no caso, o eleitor brasileiro, o contribuinte que afinal é quem paga a conta. Novamente poderemos acompanhar um episódio em que o poder econômico (como vários senadores da base aliada do governo petista disseram na sexta-feira passada) torna-se mais relevante do que a punição de criminosos.

Ao longo da história republicana brasileira acompanhamos corruptos gravitando ad extremum o poder, independente da corrente no comando. O brasileiro já se cansou de acompanhar fraudes, roubos e falcatruas envolvendo políticos e politiqueiros que não recebem a justa punição. Os assaltos aos cofres públicos continuam e sempre se aguardou em vão uma ação mais enérgica da Justiça brasileira. A esperança de mudança do quadro seria com a prisão dos mensaleiros, mas nem isso já é certo.

A indignação dos brasileiros já ficou bem clara durante as grandes manifestações que sacudiram todo o País em junho passado. Aparentemente, depois de passado o susto inicial, tudo voltou a ser como antes. O veredicto do STF pode ser ignorado e começar tudo de novo, para tristeza daqueles que imaginavam o Brasil de volta aos trilhos da normalidade. Porém, a nossa normalidade sempre passou pela impunidade dos poderosos e pesada penalização dos mais humildes. Pelo visto, ainda vai longe o momento em que os braços da Justiça brasileira atingirão todos. A esperança, ainda, é que Celso de Mello sinta-se pressionado a mudar a sua posição como um recado aos corruptos: o Brasil não aceita mais ser dilapidado e vilipendiado. Quem transgredir a lei, afastar a moralidade e escantear a honestidade será punido exemplarmente. Essa é a nossa esperança.

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