09 de julho de 2026

Violência em casa: pais perdem as rédeas e rebeldia dos filhos dispara


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Pedreiro foi esfaqueado no rosto pelo próprio filho, que tem apenas 13 anos, há uma semana. Caso é investigado pela Polícia Civil

Um garoto de 13 anos está sendo investigado pela DIG (Delegacia Geral de Investigações) de Franca por tentar matar seu próprio pai com uma facada no pescoço. O caso aconteceu há uma semana na zona Sul da cidade. Segundo o pai, o motivo da agressão teria sido uma bronca que ele deu no filho que ainda estava na rua em plena madrugada. Ele queria que o menino fosse para casa. A reação do adolescente foi uma facada que por pouco não lhe tirou a vida. Ao comentar o fato, o pai desabafou: “Perdi o controle sobre meu filho.”

O episódio pode parecer um caso raro, mas, segundo o Conselho Tutelar de Franca, órgão responsável por fiscalizar o cumprimento dos direitos da criança e adolescente previstos no ECA (Estatuto de Criança e do Adolescente), registros de pais que perderam o controle sobre seus filhos têm se tornado cada vez mais comuns. Neste ano, até agosto, já tinham sido registradas pelo Conselho mais de 330 ocorrências de rebeldia, uma média de 40 por mês. “A grande maioria envolve adolescentes com idades entre 15 e 17 anos que decidem viver de acordo com suas próprias regras e não aceitam nem respeitam mais a autoridade dos pais”, disse o conselheiro Ilton Ferreira.

As ocorrências vão desde problemas como o adolescente se recusar a ir à escola até casos mais graves de agressão, furtos ou desaparecimento. Em todos, o primeiro passo é investigar a fundo o que está acontecendo. “O que verificamos é que, muitas vezes, a rebeldia das crianças e adolescentes é uma forma de eles reagirem à situação que estão vivendo. São lares desestruturados, em que o adolescente ou a criança não têm suas necessidades físicas e emocionais atendidas.” É o caso, por exemplo, de lares em que o pai ou a mãe, ou os dois, são dependentes químicos de drogas ou álcool. “Como esses pais podem exigir que seus filhos não se envolvam com esse tipo de coisa? Se eles mesmos usam, às vezes na frente dos menores, como podem impedir que os filhos também consumam?”, questiona o conselheiro. Ele ressalta também que a ausência dos pais é outro problema sério. Boa parte dos atendimentos feitos pelo Conselho são em lares onde os adolescentes foram abandonados por seus pais e são obrigados a viver com parentes e não têm o acompanhamento e o carinho dessas pessoas.

Limites
Para Ilton Ferreira, o comportamento dos filhos está diretamente ligado à postura dos pais. “A educação e o respeito são conquistados a partir de atitudes, de exemplos. Aquele ditado de ‘faça o que eu digo e não o que eu faço’ não funciona. Se você só grita com as pessoas dentro ou fora da sua casa, é assim que seu filho agirá. Se você não respeita sua mulher ou seu marido, seu filho também não respeitará. As crianças são condicionadas e aprendem muito pelo exemplo que assistem todos os dias.”

Ao ser notificado sobre a rebeldia ou falta de obediência, o Conselho visita a casa dos envolvidos para tentar entender o que se passa e os motivos que levam o menor a não ouvir mais seus pais. “Em 90% dos relatos, o que vemos são pais que não conseguiram impor sua autoridade, não conquistaram o respeito de seus filhos ou por serem muito permissivos ou por terem problemas com drogas ou violência.”

Providência
As famílias nestas situações são encaminhadas para o atendimento na rede pública. “Elas recebem a visita de assistentes sociais. São encaminhadas aos programas municipais de ajuda, com tratamento psicológico e médico, se necessário. Mas o resultado efetivo é muito pequeno. São raros os casos em que o adolescente volta a respeitar os pais. A reincidência é alta e, normalmente, todos saem prejudicados.”

De acordo com o conselheiro Ilton, nos casos de rebeldia que envolvem maiores de 12 anos, tanto os pais quanto os adolescentes podem ser responsabilizados. “Os menores responderão pelos atos infracionais que por ventura cometerem. Já os pais podem ser responsabilizados por abandono ou negligência.”