A lei proíbe menores de beber, mas ninguém, nem os pais, a respeita. De todas as leis ignoradas no Brasil — e a lista é longa —, poucas são descumpridas com tanta naturalidade. Pesquisa revela que adolescentes que tentam comprar bebidas alcoólicas têm sucesso em 90% das vezes. Sou autor da Lei 219/2013, que alterou o artigo 2º da Lei nº 14.592, de 2011, que proíbe vender, ofertar, fornecer, entregar e permitir o consumo de bebida alcoólica, ainda que gratuitamente, a menores de 18 (dezoito) anos. O descumprimento faz consolidar a ideia de que lei não passa de letra morta, e contribui para que adultos se habituem a ver adolescente beber como um ‘mal menor’, comparado aos perigos do mundo.
É preciso fiscalização maior e conscientização de pais que bebem emfestas e dizem ‘só socialmente’. Se todos soubessem o mal que a bebida causa, não ajudariam as indústrias de cervejas faturarem R$ 20 bilhões por ano.
A indústria da bebida tende a convencer cada mais o consumo através da propaganda abusiva do álcool na TV, associando-a a esportes, sexualidade e prazer. Beber, em qualquer idade, potencializa comportamentos temerários. No adolescente, com sua onipotência e impulsividade características o álcool provoca ou facilita situações como gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis, acidentes de carro e moto. Envolvimento com criminalidade e uso de drogas ilícitas fica perigosamente maior.
A experiência de muitos adultos, no entanto, ajuda a enfraquecer o que é uma certeza. Muitos pais pensam: ‘tomei minhas doses quando era jovem e hoje tenho um emprego estável, uma família feliz e uma relação saudável com a bebida’. Por causa disso, vemos tantos pais perdendo seus filhos em acidentes de trânsito, e outros, para o mundo das drogas. Bebida só traz prejuízos. Vicia. Mata. É a droga que mais mata no país.
Rodrigo Moraes
Deputado estadual pelo PSC