A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo confirmou ontem, dia 6, o afastamento do cargo da diretora e vice-diretora da Escola Estadual “Capitão José Pinheiro de Lacerda”, localizada no Residencial Baldassari, em Franca. As duas, juntamente com a coordenadora pedagógica da unidade, são acusadas de efetuar cobranças irregulares de alunos do ensino fundamental para a realização de provas. Na última semana, elas teriam ainda cobrado a mais para levar os alunos a uma peça teatral. A ação ocorreu um dia após o Comércio da Franca revelar que a escola estava sendo denunciada pelas cobranças.
As servidoras foram afastadas, segundo a assessoria de imprensa da pasta, após uma reunião realizada na quinta-feira com pais e professores. Antes da decisão, as envolvidas também foram ouvidas por uma comissão formada por funcionários da Diretoria Regional de Ensino, onde elas tiveram direito de defesa. Segundo a assessoria de imprensa, a coordenadora não foi interrogada pela comissão, o que deve ocorrer na próxima semana.
Ontem à tarde, a diretora e vice já não deram expediente na escola. Pela manhã, elas ainda passaram pelas salas de aula explicando o caso. Segundo relatos de alguns alunos, a vice chegou a ser hostilizada. “Todo mundo ficou gritando para ela devolver os R$ 2, chamando ela de ladra”, disse um estudante.
De acordo com pais de alunos, a escola cobrou o valor de R$ 7 pelo ingresso de uma peça teatral, mas na realidade o preço estipulado pela produção seria de R$ 5. Ao ser questionada sobre a cobrança a mais, a direção da unidade teria prometido devolver a diferença, o que até a ontem não tinha ocorrido.
As cobranças
A reportagem da última quinta-feira também informou que as cobranças teriam começado no início do ano. Segundo as denúncias, diretora, vice e coordenadora pediam aos alunos o pagamento de uma taxa de R$ 2 a cada bimestre com a justificativa de custear provas e atividades. Os pais ainda denunciaram que houve a comercialização de apostilas no valor de R$ 17.
Em entrevista à repórter Priscilla Sales do Comércio na quarta-feira, antes da publicação da matéria, a subsecretária de Articulação da Secretaria Estadual de Educação, Rosania Morales Morrone, disse que caso sejam comprovadas as denúncias ou existirem fortes indícios da prática, os responsáveis deverão responder a sindicâncias ou processos administrativos, dependendo da gravidade. “Em ambos os casos, estarão sujeitos a penalidades previstas em lei, que vão desde mera advertência até suspensão ou demissão”, disse Rosania.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Educação informou que na próxima segunda-feira, dia 9, uma nova diretora e vice serão nomeadas para ocupar os cargos. As duas funcionárias afastadas continuarão na rede estadual, porém, como professoras em outra unidade escolar.