08 de julho de 2026

Rádio e cidadania


| Tempo de leitura: 3 min

Apresento o Jornal da Noite, de segunda a sexta-feira, ao microfone da Difusora AM 1030, entre 18 e 19 horas, resumo dos principais fatos do dia. Frequentemente recebo feedback de ouvintes - e, tremenda responsabilidade, não são poucos - que, em trânsito do trabalho para casa, ou de casa para a escola, ou presos no trânsito da hora do rush, ou enquanto não se reúnem a amigos para a happy hour, ou já em casa depois de um dia de trabalho duro, sobre o formato do programa - rápido, ágil, objetivo -, a linguagem - coloquial, interpretada, capaz de permitir que o ouvinte construa em sua mente o cenário no qual se desenrola a notícia -, e, fundamentalmente, os pequenos comentários cidadãos que, em variadas ocasiões, insiro para estimular consciência crítica frente a fatos políticos, policiais, cotidianos. Ouço tudo. Registro. Frequentemente há sugestões, e interessantes.

A própria inserção desses comentários foi sugestão de amigo de muitos anos, colega de escolas que frequentamos e que ensinavam Organização Social e Política Brasileira, Educação Moral e Cívica, e até, espiritualidade (havia sim, ensino religioso naquelas escolas, segundo a crença de cada estudante). (Era um tempo diferente. A gente era educado em casa, pelos pais. Aprendia limites, a respeitar o outro e o que era do outro. Subtraíssemos uma agulha que não nos pertencia era mais do que motivo para severíssimas cobranças. Davam-nos o direito de errar, mas se a gente errasse, não era por falta de aviso; e o erro tinha que ser sempre lembrado, para não fazer mais. Aprendemos hierarquia também em casa. Adultos tinham que ser respeitados. Seus postos, cargos e encargos, também. Íamos à escola em busca de cultura. Não era só para ‘passar no fim do ano’. Saber era a diferença entre ser só mais um ou alguém, na vida. Professores eram duros, a gente respeitava, o sistema respeitava. Estavam no lugar de pai e mãe, inclusive com direitos iguais conferidos pelos próprios pais e mães. Poderia ir longe, recordando, mas não é o foco de deste momento).

Os sugeridos pequenos comentários tornaram-se marca esperada do programa. Faça-os, principalmente, no boletim de polícia que abre o Jornal da Noite. Os repórteres Barros Filho e Felipe Cavalieri, que apresentam boletins de ocorrências registrados delegacias, têm se esmerado — dentro do mesmo espírito que norteia todo o jornal — em fazer o ouvinte compreender o cenário onde os casos ocorrem, (mãe e filhos que traficam ‘em família’; pais que estupram filhos menores ou especiais, acidentes de trânsito recorrentes por desrespeito às leis de trânsito e volante casado com álcool, com raiva, com falta de CNH produzindo mortes, aleijamentos, tristeza infinita para tantos.

É impressionante como a desgraça chama a atenção das pessoas. Aproveitamo-nos dessa constatação. É esse o momento de inserir comentários cidadãos, recordando práticas que quase ninguém pratica mais. Esforçamo-nos em ampliar o número de ‘vítimas positivas’, capazes de replicar o que bom ouvem. Não dá para utilizar mal o tempo em que se usa o microfone, e nem desrespeitar quem ouve.

Não sabia e também vai ouvir? Então, aproveito a reservem tempo também para o tradicional Jornal da Manhã, apresentado das 6 às 8 horas pelo Everton Lima, e o referencial Hora da Verdade, entre 11 horas e meio-dia, apresentando pelo Leandro Vaz e comentado pelo agora também radialista, Corrêa Neves Júnior, para quem não há meias verdades, e as verdades inteiras têm sempre que ser ditas.

Aproveitem bem a capacidade de companhia que o rádio cumpre na vida de quem gosta dele. Neste século da informação, não tê-la é escolher a margem do caminho, junto aos que só observam e que não fazem nenhuma diferença; massa de manobra, como dizem aqueles a quem interessa que continue emburrecida...

Luiz Neto
Editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br