08 de julho de 2026

Condenável e revoltante


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Noticiada na semana passada, revoltou a cidade a história envolvendo um adolescente de 15 anos portador de deficiência, estuprado pelo próprio pai. O ato em si já é motivo de condenação. Mas as características deste caso em particular tornam a situação revoltante. Não se concebe um pai submeter o próprio filho a este ato, considerado hediondo, ainda mais em razão das deficiências do garoto. De acordo com avaliações médicas, o menino já apresenta reflexos psicológicos em razão da violência a que teria submetido.

Diante de todas as provas e evidências que corroboram a história apresentada pela mãe do garoto, o sapateiro de 57 anos, apontado como autor da violência sexual, busca demonstrar inocência e, conforme as manifestações de seus próprios familiares, diz que não é “bandido”. Como então classificá-lo face ao crime pelo qual é acusado? Trata-se de um ato hediondo cujo autos não pode, caso seja condenado, permanecer livre. Precisa mesmo ser segregado, já que, a se acreditar no que o garoto demonstra, deixa-se dominar pelos instintos mais baixos.

A delegada da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Graciela de Lourdes David Ambrósio, tornou claro não ter dúvidas da culpabilidade do acusado que, segundo ela, entrou em contradição várias vezes ao apresentar o seu depoimento, anteontem. Antes disso, ele já tinha tentado fugir da polícia: agentes da delegacia especializada, que tinham em mãos mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça francana, precisaram fazer campana para lograr detê-lo. Como já diz aquele velho ditado, quem não deve não teme. Caso a história não passasse de invenção de sua ex-mulher, o sapateiro deveria ter procurado a DDM espontaneamente para apresentar sua versão e provas de que não teria atacado o próprio filho.

O rapaz, diante de suas deficiências, não tem como sustentar uma história absurda como essa. Para piorar mais a posição do pai, laudos feitos pela psicóloga que presta serviço na delegacia avaliam que o garoto teria ficado “viciado” nos abusos. Teve o psicológico abalado, a libido despertada e torna mais difícil a convivência familiar, pois corre o risco de se tornar vítima de outro predador sexual, uma vez que não tem como discernir entre o certo e o errado.

A história, que pode causar um estrago irreparável do ponto de vista psicológico, não encontra paralelo pelo menos em tempos recentes. Estupro e incesto volta e meia aparecem com destaque na mídia nacional, mas nos últimos anos não se publicou nada parecido.

Sabe-se que grande parte dos ataques sexuais, sejam contra menores ou não, ocorrem nos recônditos do lar. Pesquisas já demonstraram isso. Na maioria das vezes, o predador é quem deveria estar cuidando da segurança, tranquilidade e desenvolvimento da vítima. Em praticamente todos os casos, as sequelas, físicas e psicológicas, são permanentes. Neste caso, os contornos são ainda mais sombrios, pois envolve pai e filho e a deficiência mental deste último, a vítima.