Franca tem um dos melhores índices de saneamento básico, segurança e educação entre as maiores cidades do Brasil, mas, ao mesmo tempo, é uma das que têm os salários mais baixos e menor número de ônibus por habitante no transporte público. Essas são conclusões do estudo “Desafios da Gestão Municipal”, divulgado pela empresa Macroplan na semana passada.
No índice geral, que engloba as pontuações das 100 maiores cidades do país em sete quesitos (saúde, educação, saneamento, segurança, mobilidade/transporte, desenvolvimento econômico e renda e gestão fiscal) e 14 indicadores, Franca ficou em 19º lugar. O índice do município é de 454, sendo que o melhor (quando menor, mais desenvolvido) é o de Jundiaí (241) e o pior é de Ananindeua, no Pará (1.162).
Vai bem
No item saneamento básico é o que Franca está melhor colocada. A cidade tem 99,34% dos domicílios adequados aos serviços, segundo o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o que a coloca na primeira colocação entre os 100 maiores municípios do Brasil. No ranking do Trata Brasil, que considera fatores como investimentos, perdas e crescimento do setor, com índice de 8,20, Franca aparece no terceiro lugar.
“Franca sempre foi uma referência em saneamento. Em 1985, 100% da população já tinha rede de água, em 1994, alcançamos a totalidade na rede de esgoto. Em 1998, todo o esgoto já era tratado. Esses índices demonstram o comprometimento da Sabesp com a população”, disse o gerente distrital da Sabesp, Rui Engrácia.
A cidade também tem a segunda menor taxa de homicídios no Brasil, com apenas 5,34 para cada 100 mil habitantes, perdendo apenas para Santarém (PA), com 3,1. Os dados são referentes ao ano de 2010 e retirados do portal Mapa da Violência 2012. A Polícia Militar, via nota, afirmou que combate homicídios através de operações policiais de combate ao tráfico e ao porte ilegal de armas de fogo. “Só no mês de agosto, na cidade de Franca, foram 29 armas retiradas de circulação, o que certamente contribuiu para a prevenção a este tipo de delito. Entretanto, mesmo com o baixo índice de homicídios, persiste a preocupação, motivo pelo qual a atuação da Polícia Militar deve ser constante”, afirma o texto.
O setor de educação também apresentou bons índices nos quesitos analfabetismo e Ideb.
Vai mal
Nem todos os índices francanos são positivos. Dois deles são de natureza econômica: o PIB per capita de 2010, segundo o IBGE, era de R$ 15.806,39 (que colocou Franca na 60ª posição do ranking). Já a remuneração média mensal do francano (de apenas R$ 1.374,11), fez o município despencar na tabela, amargando a 81ª posição. O economista Luís Carlos dos Santos explicou que ambos os índices podem ser explicados pela oscilação cambial, que influenciam o preço de venda do calçado. Mas, pelo menos na taxa de emprego, Franca se dá bem, ocupando a 13ª posição no ranking, com 5,37% de desemprego, segundo o IBGE.
Quando o assunto é transporte público, apesar de 79,93% dos francanos demorarem até 30 minutos para chegar ao trabalho (a sétima menor taxa, segundo o IBGE de 2010), Franca ficou em 84º lugar na quantidade ônibus por habitante (348,77 francanos para cada veículo coletivo, com informações do Denatran e do IBGE). No dia 22 de agosto, o executivo da Empresa São José, Claudinei Castanha, afirmou que Franca não necessitava de um aumento na frota por “não haver demanda”.
Na saúde, Franca também não está muito bem. O Idsus (Índice de Desempenho do Sistema Único de Saúde), que avalia o desempenho geral dos serviços públicos de saúde, deixou Franca em 63º lugar no ranking do estudo, com uma nota de 5,24. A secretária de Saúde, Rosane Moscardini, disse que está estruturando as equipes de atenção básica nas UBSs tradicionais, implantando o programa de agentes comunitários e contratando equipes pelo Programa de Melhoria de Acesso e Qualidade (PMAQ).