A Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo anunciou na última terça-feira que pretende terceirizar o atendimento por telefone de emergências da Polícia Militar (PM), o 190. O governo alega que o objetivo é liberar parte dos 700 policiais do serviço para que voltem às ruas em patrulhamento. Para isso, o Estado pretende contratar, através de licitação, empresas para efetuar a mudança. Estudo feito pela PM apontou que com 150 mil ligações por dia, o atendimento do 190 — que funciona 24 horas — deveria contar com 1,2 mil homens. Sem ter como tirar mais policiais das ruas, o Estado decidiu testar um modelo já implantado em alguns Estados, como Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Sergipe.
Em São Paulo, o serviço terceirizado começa como projeto-piloto na capital, em Osasco e em São José dos Campos. O modelo de licitação já está definido e aguarda aval jurídico. As equipes contratadas serão treinadas e trabalharão sob orientação de policiais, segundo a PM. A proposta de terceirizar o 190 é duramente criticada por especialistas em segurança pública. Segundo eles, liberar 700 policiais para policiamento nas ruas não é uma justificativa plausível. Trata-se de um número muito pequeno para que faça diferença. Além disso, alega-se que a maioria dos que trabalham nos centros de atendimento são agentes que estão afastados do serviço efetivo há bastante tempo e a maioria, em razão de suas atividades atuais, não tem mais a destreza ou tirocínio que se espera de um policial em ação. Falta-lhes perfil, dizem os especialistas.
Deve-se levar em conta também que os atuais atendentes já estão experientes no trato com situações inesperadas. Quem vai contra a terceirização diz que os contratados terão que ser acompanhados por policiais com algum traquejo para orientar os atendentes. Atualmente, pelo telefone, policiais são capazes de orientar casos de saúde relativamente simples, como socorro a crianças engasgadas e ajuda a pessoas com enfarte, por exemplo. Volta e meia a imprensa noticia fatos que só tiveram um final feliz graças à intervenção de policiais que foram contatados pelo 190.
Porém, da forma como vem sendo feito o atendimento nos últimos anos, de maneira distante — telefonemas de Franca são atendidos em uma central de Ribeirão Preto —, há quem argumente que não haverá muita diferença. Os que defendem a medida lembram que nos Estados Unidos, a unidade de atendimento policial por telefone (lá 911) também utiliza atendentes civis que, em praticamente todos os casos, trabalham em consonância com policiais (lá não há diferenciação entre Polícia Civil ou Militar). A Polícia Militar garante que aqui não será diferente. O comandante-geral da PM, Benedito Roberto Meira, defende que a terceirização do serviço 190 pode ocorrer porque a corporação tem condições de exercer um forte controle sobre os trabalhos desses funcionários. Como se pode ver, enquanto a mudança não for implementada fica prejudicada qualquer avaliação que se faça. É esperar para ver se vai funcionar efetivamente.