A Câmara coleciona histórias sobre mudanças de última hora. No plenário, é comum não cumprir o que foi acordado ou falado. Basta pressão interna ou externa para mudar decisões irrevogáveis. Feitas essas ressalvas, me arrisco a dizer que os assessores ganharam mas não vão levar. Após passar com facilidade pela primeira votação, o projeto que autoriza reajuste salarial não terá os oito votos necessários no segundo turno. Embora tenha quem ainda banque a proposta, a maioria dos vereadores concluiu que pisou na bola e decidiu mudar de posição.
Apenas Márcio do Flórida (PT) e Claudinei da Rocha (PP) foram contra na primeira votação. Com a repercussão negativa, Marco Garcia (PPS), Adérmis Marini (PSDB) e Zezinho Cabeleireiro (PPS) anunciaram no dia seguinte que mudariam o voto. Terça-feira foi a vez de Valéria Marson (PSDB) e Josilvado Bahia (PTB) confirmarem que também estão fora. “Vou votar contra e não engolirei mais regime de urgência”, disse Bahia. Faltava mais um. O fiel da balança foi Nirley de Souza (DEM): “Foi uma precipitação ter votado sim. Os assessores já ganharam o vale-alimentação este ano, além da correção que foi repassada aos servidores”.
Se o trâmite for seguido, o projeto volta na terça-feira, mas, como o regimento interno é omisso em relação a prazo máximo, o presidente Jépy Pereira (PSDB), defensor do reajuste, pode segurar a matéria o tempo que quiser, até considerar que a poeira baixou.
Estrago à vista: Ela está quietinha na DDM, fora dos holofotes políticos desde as eleições, mas Graciela Ambrósio (PP) pode mexer no cenário do ano que vem. Ainda não foi combinado com ela, mas será convidada a mudar de partido e se candidatar a deputada estadual pelo PSB, e dobrar com Ubiali. Se concretizado, será ameaça à reeleição de Gilson de Souza (DEM) e Roberto Engler (PSDB).
Devagar com o andor: Amparada por parecer da Procuradoria-Jurídica da Câmara, a Comissão de Corregedoria vai arquivar procedimento administrativo aberto por determinação de Jépy Pereira (PSDB) com a finalidade de exonerar o assessor do vereador Márcio do Flórida (PT), Ademir da Rosa, por suposto descumprimento da Lei da Ficha Limpa. Foi demitido por justa causa da Prefeitura o que, segundo a denúncia, impediria nomeação para ocupar cargo comissionado. “Não podemos cometer injustiça. Ele recorreu da demissão e não há trânsito em julgado. Assim, não pode ser considerado ficha suja”, disse o corregedor Daniel Radaeli (PMDB).
Processo seletivo: Termina no dia 14 o prazo para inscrição de interessados em disputar as eleições de 2014 pelo PSDB. A cadeira de deputado estadual é cativa de Engler mas, com a recusa de Sidnei Rocha, há vaga para federal. Os vereadores Adérmis Marini e Valéria Marson colocaram seus nomes à disposição. O radialista e ex-vereador Marcelo Valim também está na área.
Medida certa: A população de Franca pode entrar para o Guinness Book como a melhor preparada fisicamente do país, quem sabe, do mundo. Incentivo não faltará: durante as discussões da Lei de Diretrizes Orçamentárias, os vereadores pediram ao prefeito que instale quase 50 academias ao ar livre na cidade.
Florentina: Levantamento feito pelo Ranking Político (site que avalia melhores deputados e senadores por São Paulo), revela que Tiririca (PR) é o primeiro na aprovação popular, com 340 pontos.
Olha o passarinho!: A Câmara tomou providências para melhorar sua imagem, arranhada por tantas polêmicas. Instalou quatro monitores de 50 polegadas no plenário para exibir sessões. As telinhas saíram por R$ 7,9 mil.
Edson Arantes
Jornalista - edson@comerciodafranca.com.br