Agentes da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) prenderam, ontem pela manhã, um sapateiro de 57 anos, residente da zona Norte da cidade. Ele é acusado de estuprar seu próprio filho, um adolescente de 15 anos portador de deficiência mental. Após tentar fugir da polícia, ele foi detido e prestou depoimento por uma hora e meia negando todas as acusações feitas por sua ex-mulher há duas semanas. Segundo a delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio, o acusado entrou em contradição em diversas oportunidades durante seu depoimento. Ele estava acompanhado de seus advogados de defesa, tendo um deles agredido um fotógrafo do Comércio da Franca.
Munidos de mandado de prisão preventiva, os investigadores Paulo José Aguilar Nascimento e Otaviano dos Santos Boemia procuraram o acusado na casa onde mora, no Jardim Vera Cruz. Eles foram informados que o suspeito estava trabalhando em uma fábrica de calçados, no Distrito Industrial, e que pilotava um Fiat Fiorino. Segundo os investigadores, quando se identificaram como policiais e disseram que procuravam pelo indiciado, o proprietário alegou que eles estavam enganados e que ninguém com aquele nome trabalhava lá. Os agentes desconfiaram do comportamento do empresário, parente do sapateiro, e resolveram aguardar do lado de fora do estacionamento. Neste momento, avistaram a Fiorino em fuga. Os investigadores então iniciaram uma perseguição e prenderam o suspeito.
Na delegacia, ele prestou depoimento e depois foi encaminhado diretamente para a cadeia pública de Batatais, onde aguardará o julgamento. “A criança passou por avaliação psicológica. Ela relata os abusos e aponta como autor o próprio pai. O exame de corpo de delito também apontou coito anal, além de outros detalhes que indicam que houve estupro”, disse a delegada.
A família
A prisão e oitiva do acusado, ontem, na DDM, foi tensa. Cerca de 10 pessoas aguardavam na sala de espera pelo término do depoimento. A todo instante, eles perguntavam aos profissionais de imprensa que também aguardavam do lado de fora, se era possível evitar o registro de imagens do acusado. Quando ele finalmente passou algemado pela antisala que dá acesso a saída do prédio e entrou na viatura rumo ao presídio, alguns familiares gritaram: “Ele não é bandido”.
O caso
O inquérito policial apurou que os abusos seriam praticados durante o banho, na casa do pai, sempre aos fins de semana. Ele é separado da mulher. Com base no que disse o adolescente, a polícia apurou que o pai iniciava tudo com beijos na boca. Na sequência, realizava sexo oral e masturbação no rapaz e, por fim, consumava a relação sexual. Através de laudos feitos pela psicóloga que presta serviço na delegacia, descobriu-se que o garoto teria ficado “viciado” nos abusos. “A libido sexual da vítima foi despertada e o que ela mais perguntou durante sua consulta era se poderia continuar pegando o short e a tolha para tomar banho com o pai”, revelou Ambrósio. A delegada tem 10 dias para concluir o inquérito.