Levar para a mesa da família alimentos saudáveis e produzidos a partir de práticas seguras ao mesmo tempo em que se preserva e se reconecta à natureza. Com essa proposta, há seis anos, Fernanda Jordão Freitas dedica a produção da sua fazenda, a São Francisco de Assis, na região de Franca, à chamada agricultura orgânica biodinâmica. O sucesso dos alimentos “mais que naturais” é tanto que ela e o marido já estudam a possibilidade de ampliar os negócios para mais uma propriedade rural da família, o Sítio Santa Clara.
O nome - agricultura biodinâmica - parece complicado, mas na prática é fácil de entender do que se trata. Esse tipo de cultivo, idealizado por Rudolf Steiner no século passado, baseia-se em enxergar na propriedade rural um organismo único onde um setor da fazenda alimenta e completa o outro.
Mais ou menos assim: a vaca produz o leite que alimenta seu bezerro e fornece material para a fabricação de queijos. O esterco dela ajuda a formar o adubo ôrganico para a horta ou o cafezal, que recebem a composição para crescerem mais fortes. O resultado final são alimentos mais nutritivos e saudáveis e com “a energia da natureza preservada”.
Natural
Quem observa uma plantação em uma propriedade que opta pela agricultura biodinâmica pode, a primeira vista, achar que se trata de uma área descuidada. Na horta, por exemplo, junto com as verduras crescem flores e outras pequenas plantas, mas eles também fazem parte do manejo. Acredita-se que com a “opção” colorida e cheirosa das flores e os “matinhos”, os insetos deixam de atacar a verdura.
A Fazenda São Francisco de Assis é uma das únicas do interior do Estado a ter o selo de agricultura biodinâmica, que comprova que a propriedade está legalizada, que os funcionários são registrados e fazem exames periódicos de saúde e que os animais são criados com qualidade e bem estar.
Além disso não se usa na biodinâmica nada que não seja natural de verdade, como pesticidas, herbicidas, adubos sintéticos ou hormônios. No lugar destes produtos, o agricultor usa adubos orgânicos e preparados biodinâmicos com ervas em doses homeopáticas com o objetivo de intensificar a ligação do reino vegetal com o cosmo: sol, lua e planetas.
Fazenda da vaca feliz
Fernanda costuma dizer que a sua propriedade é a fazenda das vacas e das galinhas felizes. Brincadeira para ilustrar uma das exigências do manejo sustentável biodinâmico: o bem estar dos animais. No caso das galinhas poedeiras, elas são criadas soltas. Se alimentam de pequenos insetos e podem ficar com o galo.
As vacas gir são mantidas com os chifres, alimentadas com silo do milho da própria fazenda e no pasto e produzem a quantidade natural de leite, sem remédios para aumentar a lactação.
O leite que “sobra” do bezerro - ele se alimenta livremente antes da ordenha - rende cerca de 200 litros de leite por semana e com ele são fabricados vários tipos de queijos, tais como frescal, ricota, mussarela, parmesão e provolone.
Economicamente, Fernanda Jordão garante que o negócio é rentável. “Eu não pauto meus preços pelo mercado e sim pelo meu custo de produção, por isso muitas vezes o meu preço é abaixo do mercado”, disse. O maço de alface, com três pés, custa em média R$ 4,7 (a mesma quantidade da alface comum custa em média R$ 3,50). Já o quilo do café orgânico e biodimâmico é de R$ 36.
Os alimentos orgânicos e biodinâmicos da fazenda são comercializados em pequenas feiras em Franca e na “casa da fazenda”, um imóvel no Jardim Consolação que vende apenas as frutas, legumes, flores comestíveis, doces, queijos, pães e doces feitos na própria São Francisco de Assis.
Alguns são encontrados pronta-entrega, outras, como os pães integrais de macadâmia ou os queijos, precisam ser encomendados (confira fotos no portal GCN: www.gcn.net.br).