Causa espanto a braveza da presidente Dilma Rousseff contra o diplomata brasileiro que retirou senador boliviano de seu país e o trouxe ao Brasil, através de ação cinematográfica. Bem que gostaríamos de ver a presidente e seus diplomatas com essa ferocidade contra Bolívia, Venezuela e Argentina, que nos destratam e maltratam. Pode ter sido inspirado pelo filme Argo, que tratou da evacuação de diplomatas estadunidenses escondidos na embaixada do Canadá no Irã.
Essa história começou antes, com a eleição de Evo Morales. Em sua visão, o Brasil trocou o Acre por um cavalo. Não esqueçamos que ele defendeu, nas Nações Unidas, a revogação de que veta mastigação da folha de coca. Em 2006, Evo nacionalizou a exploração de petróleo e gás no país. A Petrobras, estatal brasileira, representava 15% do PIB da Bolívia. Investiu US$ 1,5 bilhão naquele País e mais US$ 2 bilhões para trazer o gás de lá. Não foi apenas nacionalizada, mas, também, ocupada pelo exército. Não policiais nem burocratas, mas soldados de guerra, em clara mensagem ao governo brasileiro. O que fez o Brasil? Nada! Lula jogou a toalha!
O senador boliviano Roger Pinto refugiou-se na embaixada do Brasil em La Paz em maio do ano passado. Ficou confinado, sem direito a visitas e nem telefonemas. O diplomata brasileiro se tornou seu carcereiro. Entrou em depressão. Doze corintianos foram, então, presos na Bolívia. Ficou claro que era retaliação e chantagem.
O diplomata Eduardo Sabóia não tinha muito o que fazer. Ou assistia a suicídio ou esperava a diplomacia resolver a situação . Tomou decisão humana e humanitária. Utilizou carros da embaixada, acompanhando-se de dois fuzileiros navais que fazem a segurança da embaixada, e trouxe o senador para o Brasil. A presidente não gostou.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)