Cinco vereadores se reuniram na sala da presidência da Câmara ontem cedo. Também havia alguns assessores. A pauta do encontro foi a polêmica aprovação do reajuste salarial que os políticos concederam para seus secretários particulares. Alvos de críticas vindas de setores diversos da sociedade pela maneira em que o projeto foi aprovado, os parlamentares manifestaram a intenção de recuar. Os servidores protestaram, mas não devem ser ouvidos. Para entrar em vigor, a proposta tem que ser submetida à análise do plenário novamente. A votação em segundo turno deverá ocorrer em 15 dias. O cenário atual aponta pela rejeição.
O projeto foi aprovado em regime de urgência na última terça-feira quando o plenário havia se esvaziado e sem qualquer discussão. Pouco antes, os vereadores haviam dito não ao pedido dos servidores da Saúde para que fosse regulamentada a jornada de 30 horas semanais. Em questão de segundos, eles aumentaram os salários de seus assessores de R$ 2.691 para R$ 3.282. Em abril, já haviam concedido um vale-alimentação mensal de R$ 440. A repercussão negativa do novo benefício atingiu proporções inesperadas.
Os vereadores temem que o limpa ocorrido na Câmara quando o IPTU foi reajustado, durante a administração do ex-prefeito Gilmar Dominici (PT), possa se repetir.
Recuo
“Repercutiu muito mal. O impacto foi forte. Meu assessor merece ganhar mais, mas tenho que dar satisfação aos meus eleitores. Aonde vou tem gente reclamando. Ainda dá tempo de corrigir”, afirmou Zezinho Cabeleireiro (PPS).
Líder do governo na Câmara, Adérmis Marini (PSDB) admitiu que os vereadores falharam na estratégia. “Não discuto o mérito, mas foi um erro ter votado em regime de urgência. A reunião havia sido tensa e estávamos sendo pressionados pelos assessores. Vou rever o meu voto.”
Outro que voltará atrás na decisão é o vice-presidente da Câmara, Marco Garcia (PPS). Ele avaliou que o salário dos assessores, caso entre em vigor, ficará incompatível com o de servidores do município que desempenham funções com maior responsabilidade. “Erramos ao aceitar a urgência e já avisei os assessores que votarei contra na próxima votação. Eles acharam ruim e não concordaram, o que é natural, mas a decisão é do vereador”, destacou.
Apenas Márcio do Flórida (PT) e Claudinei da Rocha (PP) votaram contra o reajuste no primeiro turno. Com o recuo de outros vereadores, ontem, por conta da pressão popular, é pouco provável que o projeto obtenha os oito votos necessários para virar lei.
Não há prazo para a matéria voltar a plenário. A inserção na pauta fica a critério do presidente. É certo que não entrará nesta terça-feira, pois a sessão será exclusiva para a votação das diretrizes orçamentárias do município.