O homem das cavernas comia com as mãos. E continuou comendo assim até por volta do ano 1100. Pinturas de Veneza desta época mostram a princesa Teodora usando um tipo de garfão de dois dentes para espetar frutas e levá-las à boca. Até então as pessoas pegavam alimentos com facas. As facas foram os primeiros talheres que o homem criou. De início a partir da pedra lascada; depois, descoberto o bronze, com metais.
Foi lentamente que os garfos começaram a substituir as facas na alimentação. Em 1533, Catarina de Médici, nobre de Florença, casou-se com o futuro rei Henrique II da França. E levou para aquele país um garfo de prata de dois dentes como parte de seu enxoval.
Catarina de Médici lançou a moda do garfo individual. Logo o rei quis um só para ele. Até então os nobres dividiam à mesa um único garfo, que tinha cabo comprido e servia para pegar alimentos que estivessem mais distantes da pessoa.
A evolução
No século seguinte o garfo de duas pontas ganhou popularidade e passou a ser usado pelos plebeus, pessoas do povo que não viviam em palácios. Demorou mais um século (1700) para que colocassem mais um dente no garfo e ele se tornasse mais conhecido.
Levou outros cem anos (1800) para que o garfo de quatro dentes, como o conhecemos hoje, conquistasse grande número de pessoas. Pela história, dá para perceber que o garfo foi uma invenção que demorou pra pegar. Mas quando pegou, foi para valer. É só olhar ao seu redor. Você conhece alguém que não tenha garfos em sua casa?
O mais usado é o garfo de quatro dentes. Mas há pelo menos mais 12 tipos para levar diferentes alimentos à boca.
A palavra garfo tem origem no latim graphium, que por sua vez veio do grego grapheon. No espanhol já foi garfa, evolução do árabe garaf. Seu sentido foi sempre o de garra, objeto com o qual se agarram os alimentos.