08 de julho de 2026

Trapalhada Brasil-Bolívia


| Tempo de leitura: 2 min

O governo brasileiro meteu-se na aventura de fuga de um senador boliviano, desafeto do governo de seu país. O diplomata que representava) o Brasil em La Paz organizou pessoalmente, de perigosa e ilegal viagem do político proscrito por 1,5 mil quilômetros de território boliviano, utilizando veículo da embaixada, fuzileiros navais brasileiros e agentes da polícia federal. Mal feito. O governo brasileiro, que já havia concedido asilo político ao perseguido, devia ter pressionado para a expedição do salvo-conduto que permitisse a retirada do asilado por vias legais.

As relações Brasil-Bolívia são contraditórias. Anos atrás, o presidente Evo Morales invadiu e ‘nacionalizou’ propriedades da Petrobras, que operavam naquele país sem que o medroso governo brasileiro respondesse. O ‘compañero’ Morales circula com desenvoltura nos circuitos do poder brasileiro mas parece nos tratar com desdém.

A atitude do diplomata Eduardo Sabóia, que estava no lugar do embaixador brasileiro na Bolívia, não se justifica. Como representante do Brasil num país amigo, não tem o direito de agir ao arrepio da lei, utilizando-se de suas credenciais. Para retirar o asilado do território boliviano, sua única alternativa era acionar os altos escalões do Itamarati pressionasse o governo local a expedir o salvo-conduto. Retirá-lo por outros meios é crime, e o Estado Brasileiro não é juridicamente apto a ações criminosas. Quem comete o crime é o diplomata e aqueles que com ele contribuíram. Se não conseguisse fazer o governo brasileiro se mexer, que renunciasse ao posto na embaixada!

Espera-se que que atitudes desse naipe não se tornem corriqueiras e que o diplomata não reste endeusado pelo seu feito. Se quiserem acertar os ponteiros, Brasil e Bolívia precisam buscar solução para milhares de refugiados econômicos bolivianos que hoje vivem como escravos, explorados por seus próprios concidadãos, na zona de confecções de São Paulo. Isso seria obra humanitária...

Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Aspomil/SP